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Hidroginástica: saúde e beleza na gravidez

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

Os exercícios, quando orientados por profissionais especializados, são grandes aliados no desenvolvimento da gestação

Toda gestante necessita de exercícios que adaptem seu organismo às modificações causadas pela gravidez. A ginástica trabalhará as transformações estáticas, a hipertensão dos músculos abdominais e os transtornos metabólicos, e evitará dores lombares e dorsais e outros males que a alta de exercício pode causar.

A ginástica deve ser iniciada com a indicação do médico e, normalmente, pode prolongar-se até a hora do parto, desde que a gestante se sinta bem. A mulher que foi bem preparada é uma mulher mais calma que consegue relaxar no momento oportuno, empregar força quando necessário e respirar de maneira apropriada. Seu parto tem todas as possibilidades de ser mais fácil e mais rápido do que uma mulher que não praticou ginástica durante a gestação.

De acordo com o médico ginecologista e obstetra, José Osmar Guerini, a hidroginástica, é sem dúvida, o exercício mais adequado para a gestante. Isso porque são vários os benefícios que esse exercício traz para a grávida. Além do trabalho muscular, o psicológico da mulher que, nessa fase, fica muito alterado, também é beneficiado, já que, nas aulas, ela convive com outras gestantes que sofrem dos mesmos sintomas que ela.

Foi pelos inúmeros benefícios da hidroginástica que Guerini fez questão de implantar na sua clínica um local especialmente construído para essas aulas. Ali, as gestantes sentem-se bem e convivem em harmonia, reservando um tempo para um momento delas e suas barrigas. É fundamental na melhora da circulação da mãe, diminuindo inchaços e edemas que ocorrem, normalmente. Há melhora também na circulação do bebê, beneficiando o desenvolvimento, a nutrição e oxigenação do bebê, além do aspecto físico, onde a mãe se prepara para a mudança anatômica que ocorre durante os nove meses de gestação e também prepara a parte aeróbica, a parte respiratória que auxiliará no esforço na hora do parto, explicou.

A coordenadora do curso de hidroginástica e professora das aulas ministradas na clínica de Guerini, Angelina Aparecida Gonçalves, realizou seu estágio na Clínica Santa Joana, em São Paulo, onde há um programa especial para gestantes com o objetivo de levar benefícios para o pré e pós-parto.

Guerini explicou que, de preferência, os exercícios devem ser iniciados a partir do terceiro mês de gestação, quando a mulher já passou da fase crítica de riscos da gravidez. A partir do início, de acordo com ele, ela pode realizar a hidroginástica até no dia anterior ao parto.

Angelina explicou que os exercícios na água têm menor impacto, menor risco de lesões, mais difícil de ultrapassar o limite individual. Além disso, ela afirmou que a água proporciona um relaxamento natural e auto-massagem no corpo de cada um. O objetivo da gestante é sustentar toda a musculatura para e no pós-parto, o objetivo é fortalecer os músculos para voltar ao normal mais rapidamente, afirmou.

Angelina lembrou que o objetivo das gestantes em buscar as aulas de hidroginástica não tem sido mais somente a estética. Elas estão mais preocupadas com a saúde e o bem-estar delas e dos bebês e essa conscientização é muito importante, disse.

Principais objetivos

conservar melhor mobilidade e postura durante a gravidez; prevenir varizes; melhorar a circulação sangüínea; melhorar a capacidade respiratória; auxiliar no regime alimentar para evitar o excesso de peso; promover o fortalecimento da musculatura em geral; fortalecimento específico da musculatura de períneo para facilitar o parto; facilitar no pós-parto, a recuperação da forma física; propiciar conforto psicológico a gestante e ao pai do nascituro; usufruir dos variados efeitos terapêuticos do contato com a água; descongestão da pelve; redução das algias vertebrais; criar, estimular e sensibilizar, otimizando a postural global e a auto-imagem.

Fisioterapia pode facilitar o parto

A fisioterapia desenvolve a consciência corporal, alongamento e fortalecimento do assoalho pélvico, relaxamento e respiração correta.

De acordo com a fisioterapeuta Érica Granjeiro, os médicos, atualmente, estão preocupados com a humanização do parto, ou seja, o parto normal. A partir do momento em que a mulher sabe que está grávida, ela deve mudar alguns fatores na sua rotina diária e, entre eles, incluir uma atividade física como a hidroginástica, caminhada e até a natação, lembrando sempre que esse trabalho deve ser orientado por um profissional qualificado.

Érica explicou que na fisioterapia, geralmente, se trata das gestantes que estão apresentando algum problema de postura ou alguma dificuldade em relação ao desenvolvimento da gravidez. A fisioterapia, apesar de ser indicada para todas as gestantes, independente dos problemas ocasionais, porque traz benefícios para a mulher, facilitando o parto, ainda é procurada, na maioria das vezes, por gestantes que foram indicadas pelos médicos para corrigir algum problema decorrente da gravidez.

A fisioterapeuta disse que todos os exercícios no pré e pós-natal devem ser seguros e suaves, embora estiquem e reforcem os músculos, não devem exigir muito esforço, respeitando o limite do próprio corpo. Uma vez confirmada a gravidez, de acordo com Érica, é importante que a mulher compreenda o papel da pélvis (quadril) e o assoalho pélvico (musculatura essencial que ajuda a manter no lugar os órgãos pélvicos). Ela afirmou que os ossos da pelve formam a sólida estrutura que funciona como um berço para o útero.

Os exercícios para o assoalho pélvico são importantes durante toda a vida da mulher, explicou Érica. A sensibilidade nesta área aumenta seu prazer sexual e se os músculos tornam-se frouxos, com o passar dos anos, há dificuldade em prazer na relação sexual tanto para a mulher como para seu parceiro, disse. Ela afirmou, também, que, eventualmente, um assoalho pélvico frouxo, pode causar incontinência urinária e até prolapso, que é o afrouxamento das paredes da vagina. Durante a gravidez, de acordo com a fisioterapeuta, há um aumento natural da progesterona, hormônio que amacia os tecidos e ligamentos, permitindo que o corpo estique-se com facilidade. Este processo amacia o assoalho pélvico e à medida que o bebê cresce, pode enfraquecê-lo com seu peso, explicou.

No trabalho de parto, ter a consciência ativa dos músculos do assoalho pélvico, ajuda o trabalho do obstetra e depois do parto, os exercícios destes músculos, ajudam a vagina a voltar rapidamente ao que era antes da gravidez. Um assoalho pélvico saudável pode cicatrizar mais depressa, caso haja dilaceramento ou pontos de costura.

Postura

Os exercícios são fundamentais para a postura. Eles melhoram a expansão da caixa torácica e impedem que os músculos abdominais cedam, evitando a hiperlordose - aumento da curvatura lombar, hipercifose- aumento da curvatura dorsal - e lombociatalgia, todos problemas de coluna, já que o crescimento da barriga e dos seios podem causar essas alterações posturais.

O ponto essencial, de acordo com Érica, é alongar o máximo possível:

ombro e pescoço: alongamento; seios: exercícios fortalecem os músculos que estão sob os seios; abdominais fortes: carregam mais facilmente o bebê. Importante para o trabalho de parto e melhor recuperação pós-parto; nádegas firmes: evita problema com o nervo ciático; pernas e pés: músculos fortes ajudam a prevenir câimbras e incentivam boa circulação, diminuindo os problemas de pés e tornozelos inchados.

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