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Do falar para o fazer economia

(*) Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

O atentado terrorista aos Estados Unidos provocou, além dos comentários sobre a guerra iminente, uma avalanche de comentários sobre economia. Bolsa sobe, bolsa desce; ações se valorizam, ações despencam; dólar sobe, real desvaloriza é só pegar o jornal ou ligar a TV. Contudo, é bom abrir espaço para falar em fazer economia, em economizar. Muitos se surpreenderam com a economia de energia elétrica. Com medo de ter a força cortada, desligaram aparelhos desnecessários, diminuíram o tempo de banho com o chuveiro ligado, trocaram lâmpadas e no final do mês ficaram felizes com a redução da conta. Só aí viram que estavam desperdiçando energia.

O desperdício é um problema sério e corrosivo da nossa economia. Não só sério mas inimigo perigoso porque fica disfarçado nos nossos costumes e somente damos conta de sua existência quando acontece alguma coisa grave, como foi a ameaça do apagão. Desperdiçamos tudo energia, tempo, materiais, alimentos, espaço, idéias, isso mesmo, idéias, quantas idéias boas, que poderiam se transformar em coisas úteis, simplesmente são ignoradas. Na construção civil calcula-se desperdício de materiais superior a 30%, agravado com o desperdício da mão-de-obra. Na agricultura, entre plantio, cultivo, colheita, transporte e armazenagem, em alguns casos é superior a isso. Na administração pública, então, nem se fale obras inacabadas, programas com finalidades políticas disfarçados de objetivo social, sugando quantias fabulosas, que depois são apresentados em relatórios caríssimos, em magníficas publicações coloridas, de papel cuchê pesado, com folhas inteiras em branco ou com apenas uma ou duas linhas, para fazer mais volume e impressionar mais. E o pior é que aplaudimos.

Enquanto no geral o desperdício deva ser combatido com críticas aos que o provocam na satisfação de interesses egoísticos, há os muitos casos em que ele deve ser objeto de esclarecimento e orientação. Entre estes está o desperdício de alimentos entre as famílias de baixa renda, exatamente onde o alimento é escasso. Muitos se alimentam mal e gastam mais do que o pouco que possuem por não saberem como aproveitar melhor os alimentos. É oportuno e elogiável, neste caso, o programa lançado pelo SESI Serviço Social da Indústria, com a finalidade de ensinar, gratuitamente, a preparação de refeições nutricionalmente ricas a baixo custo, com a utilização total dos alimentos. Diz o programa que partes importantes de alimentos como hortaliças, frutas, miúdos etc. geralmente não são utilizados por falta de hábito, desconhecimento ou preconceito. Normalmente jogam-se fora talos, cascas e folhas de verduras, frutas e legumes por desconhecimento do seu valor nutricional. Com as partes que normalmente se jogam são feitos bolos, tortas, bolinhos, sopas, farofas, doces etc. Como às vezes se diz brincando, aplica-se a lei de Lavoisier: nada se perde, tudo se transforma.

Para desenvolver esse projeto o Sesi montou o Restaurante Educativo Alimente-se Bem, onde nutricionistas ensinam a preparar mais de 80 receitas. Está aí uma excelente oportunidade de aprender a fazer economia de maneira inteligente.

(*) Pedro Grava Zanotelli é professor e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, da ITE - e-mail: pegrazan@techno.com.br

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