Venho, de forma categórica, discordar da missiva de Ana Claudia S. Ferreira. Depois de quase 300 anos de libertação e abolição de escravatura, ainda estamos num estágio vergonhoso, referente à cultura, cívica, política e profissional. Não há mais tempo para esperar que eles (os negros) lutem para chegar às Universidades.
É preciso começar de cima para baixo, pois esse ditado popular é muito certo, que diz Tanto faz dá na cabeça, como na cabeça dá, dói mesma coisa. A ordem dos fatores não altera o produto. Porisso penso se já colocarmos negros nas Universidades, amparados pela Lei com número de vagas destinadas aos negros, é um grande avanço. Esses futuros universitários e formandos serão o espelho, alicerce, à família, para que outros aproveitem um bom ensino básico médio e o bom preparo de cursinhos, e chegar à Universidade.
Vamos deixar de sonhar e falar em lutar para conseguir espaço. Não basta ser pessoas boas e inteligentes, é preciso oportunidade. O embasamento começa na gestação ainda no ventre materno, boa creche, boas escolas; pré, jardim, ensino básico, ensino médio e curso superior, tudo isso falta ao negro por inúmeras razões. Não vamos fazer média! Onde uma Universidade tem 3.000 alunos freqüentando diversos cursos, a população negra representa apenas entre 2% a 5%. Será que existem as mesmas oportunidades? Respondo não! Não!
Filosoficamente, politicamente se fala. Somos todos iguais! Essa igualdade só será quase ou verdadeira quando as oportunidades forem concretas, e não existindo os excluídos. Nesta virada para o novo milênio, precisamos mudar para ontem, pois as grandes empresas não dão oportunidade. A mídia também se preocupa muito pouco com a condição dos excluídos, seja na arte de representar; novelas, filmes e cultura, o espaço é ainda pequeno, restrito, não contínuo. O assunto mais controverso da Conferência Mundial, Contra o Racismo da ONU é o pedido da indenização para os países africanos e os descendentes de escravos negros, é a Educação, a abertura de novos horizontes e a realização intelectual do negro. O ingresso às Universidades, a ótimas escolas de ensino médio e técnico, para êxito no mercado profissional, intelectual.
A revista Veja, edição 1716, nº 35, de 5 de setembro 01, publicou a entrevista: Henry Louis Gates Jr. professor de Harvard, cujo o título é A indenização é justa, defende políticos que beneficiem a comunidade negra, para reparar injustiças da escravidão. O governo brasileiro anunciou um projeto de aumentar as presenças de negros em cursos Pré-vestibulares para facilitar a entrada, deles nas Universidades. O professor Gates Jr. acha positivo. Por isso as políticas em favor do negro devem ser adotadas com mais urgência; é o Brasil precisa de mais Ação Afirmativa. Essa é a maneira mais eficiente, digna de promover a mobilidade social. Concluindo, espero que esse projeto do Governo Educacional, saia e rapidamente se torne Lei na Área da Educação e as vagas das Universidades sejam reservadas ao negro, que deseja ver um país mais justo, competitivo em todas as áreas, que possa alcançar o ser humano, com total afirmação do negro como cidadão. Que as Universidades brasileira públicas deixem de ser elitistas. (Dirce de Camargo Araújo - RG. 2.873.199)