Geral

Missão para espartilho

(*) N. Serra
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A constituição física preocupa bastante as pessoas de ambos os sexos. É uma verdade incontestável! E é até natural que isso aconteça, pois, se, como se costuma dizer, em cada cabeça existe uma sentença, uma delas se volta, certamente, para a apresentação individual dos seres humanos. Seja por isso que quase nenhum homem deseja ser excessivamente magro ou demasiadamente gordo, gorduchão - brinquemos! - o que ocorre, igualmente, com as mulheres no geral. Todos preferem a formação média, queremos dizer, nem isso e nem aquilo, achando que é o que lhes convém, o que, enfim, não seja propriamente só para seu gosto ou preferência, mas, principalmente, para o encanto ou a admiração dos outros. Trocando em miúdos, quem é que não gosta, por exemplo, de ouvir ao seu redor alguém elogiando a esbelteza das linhas de seu corpo, notadamente as das mulheres, as quais, nem por isso, podem ser chamadas de vaidosas ou exibicionistas? Ora, se as Evas não podem, também não podem os Adãos!

E como vir a ser-se como se gostaria de ser? A problemática é interrogativa, indubitavelmente, porquanto a inteligência médico-científica admite que ela vem normalmente do ventre materno. Fazer-se, então, exatamente o que, se filho de gordinha naturalmente gordinho é?... Mas, há pouco tempo, um médico norte-americano, inovando a técnica da redução de peso das pessoas, inventou algo tendente a impedir que elas se alimentem excessiva e impropriamente. E craniou nada mais, nada menos que um repeteco sofisticado dos folclóricos espartilhos, os quais, pressionando a parede do estômago, fariam com que se reduzisse a quantidade de comida que se poderia ingerir e consumir dentro e fora dos horários habituais. Foi o que inventou, simplesmente! E, agora, lembrando-nos da interessante inovação, arriscaremos achando que ela bem poderia ser amplamente disseminada em nosso País, onde as dificuldades de alimentação de tantas camadas carentes, gente de salário-mínimo ou quase nenhum salário, encontrariam, certamente, nos tais incrementados espartilhos, um auxiliar de marca maior como instrumento suavizador da fome. Conseqüentemente, se esse tipo de instrumento puder ser lançado em amplitude no mercado brasileiro, neste momento de contínua deflação alimentar, ele certamente vai ser vendido às toneladas. Estamos certos? Pelo menos é a nossa modesta opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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