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Apesar da crise, indústria da região elevou número de vagas

Redação
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O nível de emprego industrial na região de Bauru, composta por 17 municípios, apresentou resultado positivo no último mês de agosto. A variação ficou em 0,9% em relação ao mês de julho, o que significou um aumento de aproximadamente 147 postos de trabalho. A informação é da Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru.

O índice total de emprego industrial na região de Bauru foi influenciado principalmente pelas variações positivas dos setores de produtos alimentares e editorial e gráfico, que foram de 0,37% e 1,02%, respectivamente. São setores predominantes na região por número de empregados. Ou seja, eles têm forte influência no cálculo do índice total.

De acordo com a Diretoria Regional do Ciesp em Bauru, o resultado só não foi melhor devido à variação negativa do setor de mecânica, que foi negativa em 0,73%.

O acumulado do ano é de 0,35% (ver quadro), representando um acréscimo de 59 postos de trabalho. Já nos últimos doze meses, o acréscimo foi de 0,75%, equivalente a 124 trabalhadores na região.

O desempenho do Estado de São Paulo no ano foi pior que o da região de Bauru, ficando negativo em 0,7%. Nos últimos doze meses, o acumulado do Estado foi negativo em 0,12%.

Além disso, o resultado de agosto deste ano foi melhor que o de agosto de 2000 - positivo em 0,44%.

O engenheiro José Luiz Miranda Simonelli, diretor-regional do Ciesp em Bauru, avalia as variações como pequenas e não muito significativas. Todas elas fazem parte de um movimento normal da economia. Mesmo em crise, a indústria emprega e desemprega. Nunca vai haver sempre um nível positivo ou negativo, salienta.

Ele afirma que esses pequenos percentuais são variações normais de um nível de emprego, seja ele ascendente ou descendente.

Além disso, destaca que os cenários nacionais e internacionais não são favoráveis à economia do País e avalia que o desempenho dos níveis de emprego industrial dos próximos meses vai depender em grande parte da economia norte-americana. É um enxame de coisas. São juros altos, é falta de financiamento para produção, é a reforma tributária que não vem, é a reforma trabalhista que não vem, é o déficit nas contas públicas. Tudo isso joga toda a produção do País para baixo. Você agrava com uma crise internacional e com a crise de energia, ressalta.

Já o economista Wagner Aparecido Ismanhoto, chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), avalia com surpresa os dados positivos referentes ao nível de emprego industrial na região de Bauru. São números que estão na contramão, observa.

No entanto, esclarece que o desempenho positivo do emprego industrial na região pode ser explicado pela proximidade com o final de ano, em que historicamente existe um aumento na demanda e as empresas procuram aumentar a quantidade de mão-de-obra.

Ismanhoto acredita que haverá modificação nesse quadro, com dados negativos, quando as estatísticas de agosto forem comparadas com as de setembro, em decorrência da desaceleração da economia norte-americana. Em virtude principalmente da redução dos contratos de empresas que produziam para exportar para os Estados Unidos e para outros países, o economista acredita que o nível de emprego industrial pode apresentar uma queda, nos próximos meses. Acredito que, a partir do mês de setembro, nós devemos ter uma reviravolta desses números. Depois da crise nos Estados Unidos, o mercado mundial deu uma parada. Eu acredito que os números de setembro vão mostrar uma realidade um pouco diferente da de agosto, expõe.

Infelizmente, as expectativas para este final de ano não são positivas, não, acrescenta o economista.

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