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OIC: quedas nos preços é catastrófica

Redação
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A Organização Internacional do Café (OIC) divulgou, na última sexta-feira, um documento denominado Exame da situação do mercado cafeeiro, no qual faz um balanço do atual momento vivido pelo segmento em todo o mundo. A entidade aponta que a queda dos preços atingiu proporções catastróficas que são as piores dos últimos 30 anos, segundo material entregue por Maurício Lima Verde Guimarães.

A OIC lembra que tal situação verificou-se devido a um excesso de oferta. Estima-se que em 2000 a disponibilidade global (produção mais estoques) foi de 150,4 milhões de sacas, contra 145,8 milhões em 1999 e 146,5 milhões em 1998.

A disponibilidade global permaneceria em torno de 150 milhões de sacas durante 2001. Estima-se, também, que em 2000 o excesso de produção exportável em relação ao consumo nos países importadores foi de 10,4 milhões de sacas em 2000, contra 1,2 milhão em 1999 e 4,5 milhões em 1998. O último ano em que se registrou déficit, num volume de 4 milhões de sacas, foi 1997.

Estima-se ainda que, no ano em curso, o consumo mundial será de 102,3 milhões de sacas, contra 102 milhões no ano 2000, 103,3 milhões em 1999 e 102,6 milhões em 1998", apontou o documento.

A Organização destacou que o preço diário composto medido por ela indicou uma forte depreciação. Entre janeiro e agosto os preços compostos tiveram uma queda de 76,3% em relação à média anual de 1967, a mais baixa registrada desde então.

Nos oito primeiros meses de 2001, a média do preço indicativo dos suaves colombianos caiu 26% em relação a 2000 e 35% em relação a 1999. Os preços dos brasileiros e outros naturais também sofreram uma depreciação aguda, caindo 30,8% em relação a do ano 2000.

Um dos dados mais interessantes levantados pelo relatório da OIC refere-se ao preço pago aos produtores de café. De acordo com a OIC, os produtores são os primeiros integrantes do setor que a flutuação afeta, demonstrando que alguns preços indicam até a situação de miséria na comunidade de certos países exportadores. Os preços pagos aos produtores do grupo colombianos suaves no Quênia e na Colômbia, em dezembro de 2000, caíram 54,51% e 29,13%, respectivamente. Para os produtores de outros suaves, as quedas mais acentuadas ocorreram em El Salvador (-66,21%), no Equador (-60,84%), na República Dominicana (-56,18%), em Honduras (-51,40%), na Guatemala (-46,08%) e no México (-49,35%). No caso do grupo dos brasileiros e outros naturais, os produtores viram seus preços caírem 50,35% no Brasil, 48,78% nas Filipinas e 40,37% na Etiópia.

No caso dos robustas, as quedas mais acentuadas se deram no Togo (-67,82%) e na Indonésia (-56,25%). Em alguns países onde não há organizações eficientes de produtores para defender seus interesses os produtores são sujeitados a descontos informais e os preços que lhes são pagos são ainda mais minguados. Os níveis de preços continuaram em declínio acentuado ao longo de 2001, pois a queda dos preços mundiais ainda não cessou. Os preços não permitem cobrir os custos de produção e os produtores são forçados cada vez mais a reduzi-los. A primeira conseqüência é a deterioração da qualidade do café produzido e a aceleração do êxodo dos trabalhadores, ressaltou a OIC.

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