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Interesse por profissões se transforma

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

O começo do século XXI marca uma revolução no mundo das profissões. Muitas atividades de destaque como a Medicina, o Direito e a Engenharia, consideradas até glamourosas há alguns anos, estão perdendo espaço no gosto dos estudantes e no mercado de trabalho para profissões modernas como as relacionadas ao turismo, informática ou moda, por exemplo. Os conceitos de muitas profissões também mudaram e estão obrigando seus profissionais a se adaptarem às novas necessidades do mercado. Essa fase de transição pela qual todos estamos passando é descrita por Luiz Gonzaga Bertelli, presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), no seu livro mais recente, intitulado: Profissões em Alta.

Segundo Bertelli, que na última semana esteve em Bauru para ministrar uma palestra sobre o tema, a procura por novas profissões em detrimento das tradicionais mostra que a idéia que se tinha sobre a necessidade de possuir um doutor na família está ficando (lentamente) para trás. Hoje, na opinião dele, o estudante que vai ingressar no mercado de trabalho está se preocupando mais com a sua realização profissional, por isso está escolhendo atividades que vão lhe fazer feliz no dia-a-dia de trabalho.

E as profissões também têm mudado, de acordo com Bertelli, exigindo profissionais com uma visão mais universal dos fenômenos e fatos que os cercam, produtos que fabricam, tecnologia que usam e da necessidade que os seus clientes/consumidores possuem. Tudo isso por influência da globalização da economia, que transformou o mundo num território sem fronteiras, como provam os acordos comerciais internacionais (no caso do Brasil) como o Mercosul e a Alca, que ao mesmo tempo em que significam aumento e abertura de mercado, querem dizer maior competitividade profissional e necessidade de excelência no desempenho da sua atividade. Num futuro não muito remoto, o profissional brasileiro poderá trabalhar na Argentina, no Uruguai, da mesma maneira que os profissionais de lá poderão trabalhar aqui... Então, o desafio dos brasileiros é estar bem preparados para concorrer com os profissionais desses mercados, afirmou o presidente-executivo do CIEE.

Profissões e profissionais do futuro

Para Bertelli, as atividades a seguir vão dominar o mercado de trabalho nos próximos anos. Algumas delas são profissões novas, que surgiram com o desenvolvimento de setores novos da economia como o de informática, outras, porém, são tradicionais, mas que devem ser vistas sob aspectos diferentes dos usuais a partir de agora. Ele comentou cada uma:

Moda

O Brasil tem grandes grifes internacionais. Existem profissionais que se formam para produzir artigos para exportação dentro dessa cadeia, que se chama de cadeia produtiva têxtil do Brasil, que corresponde a 22 mil empresas que empregam 1,6 milhão de pessoas. Tudo gira em torno das grifes brasileiras de conceito mundial.

Internet

Nesse ramo as atividades são imensas: comércio eletrônico, webmaster, webdesigner. Um trabalho que realizamos no CIEE em conjunto com a Microsoft mostrou que existem mais de 30 mil oportunidades no mercado de trabalho nessa área. E não são meros digitadores de texto, mas aqueles que conseguem trabalhar com informática de acordo com as necessidades da empresa.

Educação

O professores precisam ter mestrado e doutorado porque as exigências de agora apontam que o professor que leciona nos ensino superior precisa de titulações.

Biologia

O avanço da genética e todo o desenvolvimento nessa área, a biotecnologia e o aumento da preocupação com o meio ambiente fez aumentar a demanda do profissional dessa área.

Letras

O profissional de qualquer atividade deve saber se comunicar e é fundamental que ele domine a sua língua e também outros idiomas para se integrar no mundo globalizado de hoje.

Enfermagem

Antigamente se tinha o enfermeiro hospitalar, que cuidava dos pacientes só no hospital. Com os problemas de infecções hospitalares e o alto custo do atendimento médico, a tendência é que os enfermeiros passem a atender os pacientes nas suas próprias casas.

Administração hospitalar

Antes, o médico decidia fazer um hospital e achava que ele mesmo podia administrar. Hoje está provado que o médico não é um bom administrador quando tem que revezar as tarefas. Então, essa área tem oferecido muitos lugares.

Educação física

Hoje o profissional de educação física pode ser um personal trainer e não precisa ficar atrelado a atividade de professor nos colégios. A preocupação com o físico atualmente é muito grande por parte de mulheres e homens também .

Fisioterapia

Faltam profissionais de fisioterapia no Brasil. Há um défict de 75% de profissionais nesse setor porque o Brasil não é mais um país de jovens como se dizia, é um país que começa a envelhecer e os idosos exigem muitos cuidados.

Turismo

Essa é a grande profissão dos próximos 10 anos no Brasil. O setor precisa de jornalistas especializados na área de turismo, administradores... É um mercado que precisa de especialistas. A Embratur acabou de divulgar um trabalho que diz que o turismo no Brasil emprega 5 milhões de pessoas e, até 2003, 500 mil vagas vão ser abertas.

Relações Internacionais

Em função dos acordos comerciais, o Brasil precisa de especialistas de todas as áreas com noção do seja a economia internacional, o campo de atuação com o qual ele vai se envolver, o cenário econômico mundial, quais são os usos e costumes de cada país...

Tecnologia

O universo de telecomunicações vai continuar oferecendo grande oportunidades para físicos, engenheiros, especialistas em computação eletrônica. Outra área que vai exigir especialistas é de petróleo e energia, que são campos de trabalho com grande potencial e que terão um mercado de trabalho assegurado.

Direito

O advogado não será mais um generalista de agora em diante, ele será um especialista na sua área e as áreas que vão emergir são as do direito do consumidor e a área concorrencial porque o consumidor está mais ciente dos seus direitos e as empresas mais preocupadas com as concorrentes. O advogado com conhecimento de leis internacionais e questões ambientais também vão ser valorizados.

Atividades do 3.º Setor

Esse é o setor que mais se desenvolve no País. Isso a partir de uma consciência que também cresce de que a empresa do futuro vai ser julgada não só pelo seu produto mas também se ela está identificada com os projetos sociais, filantrópicos, comunitários, etc..

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