A procura por atendimento individual na Universidade do Sagrado Coração (USC) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) está sobrecarregada. Só na Unesp, a lista de espera chega perto de 100 pessoas. A psicóloga Telma Maria Ribeiro explica que, além da lista dos inscritos, há também uma listagem de pessoas que aguardam a abertura das inscrições. Esta outra teria mais de 100 interessados.
A clínica de atendimento psicológico da Unesp tem procurado inscrever somente o número de pessoas que podem ser atendidas. Em 2000, inscrevemos 298 pessoas para o atendimento gratuito. As inscrições são feitas antes do início do ano letivo e as consultas começam em março. Os inscritos são chamados e recebidos por estudantes de Psicologia, devidamente supervisionados por professores, explicou.
A crise financeira e a insegurança quanto ao emprego são situações que geram problemas emocionais, segundo a psicóloga. Não temos dados concretos, mas percebemos que a principal queixa remete à depressão ocasionada por situações externas, antes corriqueiras, mas que agora, diante da situação do País, se agravaram, situou.
Outra observação feita por Telma é quanto à faixa etária daqueles que procuram atendimento. Antes, os pacientes eram, em sua maioria, adultos. Hoje, temos adolescentes e crianças, comentou, deixando claro que os problemas emocionais vêm numa linha crescente.
Na USC, a lista de espera por atendimento psicológico também já tem mais de 100 nomes. Para ser recebido, o candidato passa por uma triagem no serviço social. O professor Marcelo Mendes dos Santos informou que pode haver diferenciação no atendimento. Há casos em que a pessoa não pode pagar, então, o atendimento é gratuito. Quando avaliamos que o paciente tem uma condição melhor, cobramos uma pequena taxa, explicou, acrescentando as questões econômicas favorecem o aumento da demanda, tanto que as pessoas que precisam de ajuda material, além da psicológica, são encaminhadas para outros serviços.
Santos acha que o estigma de que só os loucos visitam os consultórios de psicologia caiu por terra há muito tempo, tanto que o número de pessoas em busca de atendimento não pára de crescer. No Ambulatório de Saúde Mental, mantido pela Prefeitura, a lista de espera para atendimento não ultrapassa os 60. A psicóloga Suzana Galvão Barban Castilho explica que, dependendo da queixa e do diagnóstico, a pessoa é atendida de imediato. O primeiro atendimento é feito no núcleo de saúde do bairro onde mora o paciente. São os profissionais dessas unidades que avaliam os casos e encaminham para nós quando julgam necessário, esclareceu.