Da centenária copaiba. Dentro do estado de tensão por más notícias que envolvem a humanidade e dentro do qual infelizmente estamos vivendo, é reconfortante ver-se a preocupação e a polêmica em torno de uma árvore avó ou bisavó, conforme matéria publicada pelo JC em reportagem desta semana. Pois, nascida e localizada na avenida Getúlio Vargas, onde termina sua duplicação, estaria sendo um entrave para a continuação das obras. Uns querem seu corte justificando que o progresso assim o exige, enquanto que outros querem sua preservação, havendo até um projeto alternativo para o prolongamento.
Sou partidário desta segunda corrente pelo respeito ao meio ambiente e porque entendo que ela deve ter nascido com Bauru, e, se falasse, muitos fatos históricos teria para contar. Como também condeno o corte descontrolado das irmãs árvores em nossa cidade, sob as mais variadas justificativas. Além da belíssima e planejada cidade paranaense Maringá, cuja comunidade soube criativamente manter o seu verde e as matas urbanas, vem-me também à cabeça o exemplo de uma cidade, capital de um país vizinho que consideramos mais atrasado do que o nosso e que, no entanto, pode dar um exemplo a Bauru. Refiro-me à acolhedora, encantadora e bela cidade de Assunção, capital do país vizinho. Fatos interessantes acontecem naquela cidade. Por mais humilde que sejam a família e a casa, um espaço razoável é deixado em frente a ela para um jardim, plantas ou mesmo pomar; existe o predomínio da vegetação. É comum ver-se nos bairros mais pobres, como também nos mais ricos, frondosas e centenárias árvores deixadas no leito da rua e nas calçadas, das quais motoristas e pedestres se desviam. Motoristas, pedestres e árvores convivem pacificamente.Sem dizer ainda das árvores frutíferas cítricas que são plantadas nas calçadas de muitas ruas de bairros e que todos respeitam.
Ninguém apanha um pomelo sem permissão do dono da casa. Nossos irmãos paraguaios são um povo paradoxal, pois, se em alguns aspectos do progresso industrial e cultural estão atrás de nós, brasileiros, em outros, estão em nossa frente. Não acredito que haja outro povo que goste e curta mais o verde do que os paraguaios. Há tempos, alunos e professores de uma escola de nossa cidade se concentraram sob a centenária copaiba chamando a atenção da comunidade e autoridades para sua preservação. Sem dúvida, o seu corte constituirá um ponto negro na história de Bauru, um mau exemplo para o presente e futuro. Que ela morra de velhice e morte natural, mas não pela mão do homem. (Prof. Joaquim Eliseo Mendes)