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Crise mundial atinge o mercado editorial

Redação
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A Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc) está participando de um dos maiores eventos do mercado editorial, a Feira de Frankfurt, na Alemanha, que está sendo realizado até o dia 15 de outubro. Neste evento editoras de todo o mundo negociam os direitos de publicações de títulos que vão desde clássicos da literatura até as mais importantes obras contemporâneas. Este ano a feira deve sofrer influência da crise mundial, tanto pela guerra contra o terrorismo quanto pela recessão econômica que vem se instalando.

O editor-chefe da Edusc, Luiz Eugênio Véscio, está presente na feira e avalia as condições mundiais do momento. Para ele, as perspectivas do mercado editorial são estreitas, ou seja, o mercado deve ser abalado. Durante sua passagem por Lisboa, Véscio relatou que as pessoas não falam em outra coisa, a não ser na guerra, os jornais trazem a operação Liberdade duradoura na primeira página e anunciam o apoio de países europeus à ação belicosa dos Estados Unidos. Véscio diz que existe uma concentração de interesses voltados para o combate ao terrorismo, e que a continuidade deste combate intensificará a atual crise de consumo. Segundo ele, o setor editorial também sentirá esse reflexo, não devido a uma explicação simplista de que livros são supérfluos, mas por conta das indefinições econômicas do momento.

Para Véscio, que também é formado na área de História, o século 21 efetivamente começou no dia 11 de setembro, e as conseqüências deste novo tempo ainda tardarão para se cristalizar. Ele afirma que a influência dos atentados em Washington e Nova York vai atingir diversos setores, sendo um deles o mercado editorial, que está ligado aos demais mercados. Os livros nem sempre têm um preço acessível, e, em tempos de crise instalada ou eminente, as pessoas tendem a gastar menos e ter cautela, diz Véscio.

O editor cita, como exemplo, o cenário da economia japonesa, que já passava por uma recessão antes dos atentados. Segundo ele, os analistas mais cautelosos prevêem uma recessão ferrenha em âmbito mundial. Ele diz que, no Brasil, o mercado editorial terá que apurar os investimentos com muita atenção, principalmente na edição de traduções. Após a Feira de Frankfurt, o editor-chefe da Edusc pretende reunir-se com parceiros do Brasil e do mundo, para que a situação seja conduzida da forma mais suportável possível, no sentido de instalar mecanismos que possam controlar o período complexo que se aproxima.

De acordo com Véscio, caso uma crise atinja o mercado editorial, tanto as editoras comerciais (que atendem o grande público), quanto as universitárias (que publicam títulos acadêmicos e por isso atendem um público mais restrito), saberão enfrentar as conseqüências. Para ele, todo o mercado editorial passará por dificuldades, mas estas serão superadas num prazo maior ou menor, pois as pessoas não deixarão de estudar e ler. O importante para nós, editoras universitárias, é fortalecer ao máximo nosso programa de distribuição de livros entre as livrarias universitárias e ampliar o número de parcerias, a fim de reduzir custos e ampliar a inserção de títulos no mercado, diz Véscio.

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