Os eletricitários vão votar, no próximo dia 22, para referendar ou não a atuação do Sinergia, que disputa com o Sindiluz
Os trabalhadores da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) decidiram realizar um referendo para ratificar em Bauru a representatividade do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia), filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Marcado para o próximo dia 22, a votação avalizará ou não a atividade do sindicato como intercessor nas negociações com as empresas.
A decisão decorreu de um abaixo-assinado, com participação de cerca de 200 trabalhadores, descontentes com os prejuízos causados durante a negociação salarial deste ano com a CEETEP, segundo eles, pela atuação do Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sindiluz), considerado pela categoria como sem representatividade.
De acordo com Francisco Wagner Monteiro, dirigente do Sinergia em Bauru, a empresa teria voltado atrás no acordo de reajuste de 7% depois que a CETEEP recorreu de uma ação movida pelo Sindiluz.
O Sindiluz entrou com dissídio e perdeu em última instância, fazendo com que os trabalhadores perdessem o que a categoria já havia conquistado, lembra.
Com o aval do abaixo-assinado, realizaram-se assembléias em todos os locais de trabalho das empresas, nos últimos dias 8 e 9, das quais resultaram a decisão unânime de fazer o referendo.
O referendo, segundo o sindicalista, servirá para acabar definitivamente com a disputa de base sindical provocada pela pulverização de entidades representativas no município e irá ratificar a representatividade do Sinergia como a entidade legítima dos trabalhadores junto à direção das empresas e ao Governo.
Para a direção do Sinergia CUT, a iniciativa da categoria é uma demonstração de maturidade e consciência dos trabalhadores: Tudo isso prova que a luta por liberdade e autonomia sindical, uma das principais bandeiras do Sinergia, é de todos os eletricitários de Bauru que têm história de luta e conquista e que apostam em sindicatos legítimos e independentes, com uma sustentação política e financeira transparente e garantida por decisões democráticas e mensalidades espontâneas dos próprios trabalhadores. Uma prática que faz a grande diferença com esses sindicatos que aparecem de cima para baixo, contam com a conivência das empresas e só trazem prejuízos para os trabalhadores, afirma Francisco Wagner Monteiro, vice-presidente da entidade.
Para viabilizar a decisão de realizar o referendo ainda neste mês, as assembléias aprovaram nomes para participar das duas comissões responsáveis pelo encaminhamento do processo.
A comissão da CTEEP é formada por Orivaldo Pelegrino, Ismar Natal e Cristiano Scardini Silva, tendo Gregório Lopes como suplente. A comissão da CPFL tem a participação de Ailton Cruz, José Antonio Zuccari e Geraldo Ferreira.
Para garantir transparência ao referendo, os trabalhadores vão solicitar a participação de representantes de órgãos do Ministério do Trabalho e de entidades da sociedade civil.
O referendo do dia 22 terá dois locais de votação, um na CETEEP, na Bauru-Marília, e outro na Regional da CPFL, na Vila Falcão.