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A NOTÍCIA QUE NÃO PASSA

Frei Lourenço M. Papin
| Tempo de leitura: 3 min

Graças aos modernos meios de comunicação social, estamos na era das notícias. Notícias de todos os tipos, que numerosas e velozes vão e vêm, alegres ou tristes, alentadoras ou desoladoras, verazes ou falsas, respeitosas ou injuriosas, preocupantes ou alvissareiras. Pelas notícias o mundo tornou-se tão pequeno que entra quase inteiro dentro de nossas casas. Há notícias que objetivamente relatam fatos, há outras que dão interesseiras ou maldosas versões dos fatos. Há notícias que violam os direitos humanos fundamentais da reta e devida informação, da privacidade individual e familiar e do bom nome das pessoas. Enfim, há notícias que constroem e notícias que destroem.

Em nível nacional e internacional deparamos com fontes ou agências de notícias, umas objetivas e criteriosas, outras manipuladoras de fatos e dados, em favor de interesses de grupos, de interesses políticos e financeiros. Uma notícia somente será boa se estiver permeada pela verdade, pela ética e pelo bom senso. Imensa, pois, é a responsabilidade dos detentores dos meios de comunicação e dos comunicadores sociais, veiculadores das notícias e principais formadores ou deformadores da opinião pública. Da parte dos receptores faz-se sempre indispensável uma boa dose de espírito crítico e vivacidade para evitar-se um fácil e precipitado envolvimento no fluxo e refluxo das notícias.

As notícias vão chegando e vão passando, envelhecendo e perdendo atualidade. Quase sempre são fugazes, perdendo-se e desaparecendo na evolução do tempo e da história.

Há uma Notícia, porém, pronunciada desde toda eternidade e que entrou no tempo e na história como suprema, perene e alegre novidade. No princípio do cosmo era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo. 1, 1 e 14). Cristo é essa Notícia Eterna, personificada, humildemente revestida de nossa humanidade. Notícia divina e humana anunciando a novidade de sermos filhos amados de Deus, a novidade da fraternidade universal, do amor e da solidariedade sem fronteiras, da justiça e da misericórdia, da liberdade e da paz. Notícia divina e humana que se torna serviço e doação sobretudo aos pequenos e pobres, que passou entre nós fazendo o bem, que penetrou nos tecidos da história como força transformadora de todas as realidades humanas.

Notícia divina e humana que foi julgada, condenada e sepultada pelos homens! Notícia divina e humana que porém venceu a morte e ressuscitou, como garantia de vida nova e de ressurreição da criatura humana. Onde está, ó morte a tua vitória?, exclamava uma liturgia batismal da era apostólica. Notícia sempre viva, presente e atuante na história, questionando, iluminando e orientando o agir humano. Notícia que continua conquistando os corações, tornando-se o mais sublime ideal de vida. Notícia pela qual multidões de pessoas deram sua vida e derramaram seu sangue. Notícia que dá sentido a todas as notícias, ainda que tristes e dolorosas, que dá sentido à própria morte, pois é anúncio e certeza de vida plena além das fronteiras do tempo. Enfim, diante dela ninguém pode ficar indiferente.

Notícia divina encarnada e ressuscitada que não passa, que é sempre nova e atual, a mesma ontem, hoje e pelos séculos. Notícia que é esperança, esperança plantada no coração da história, esperança que jamais decepciona. Vale a pena, vale a vida ouvir, acolher e seguir essa Notícia.

(Frei Lourenço M. Papin é frade dominicano, co-fundador e membro do Centro de Direitos Humanos Oscar Romero da Arquidiocese de São Paulo)

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