Com a mudaça do horário de verão, quando os relógios são adiantados em uma hora, de acordo com a médica endocrinologista Cibele Cabogrosso, o metabolismo do ser humano sofre uma alteração que não é tão grande e importante, mas leva, em média, uma semana para a pessoa se adaptar ao novo horário.
Ela explicou que a produção do hormônio cortison, que é aquele que regula o ritmo circadiano (ritmo da hora de acordar, se manter em vigília e a hora do sono), tem um horário de produção que são às 8 horas, 16 horas e 23 horas. Se muda o horário habitual, muda o horário também da produção do hormônio, porque muda o metabolismo, disse.
É por isso, explicou Cibele, que as pessoas têm mais sono e sentem cansaço durante o dia, nos primeiros dias de mudança do horário de verão. Essa alteração hormonal é muito discreta, não chega a causar nenhum problema para o indivíduo. Isso porque é apenas uma hora de diferença, mas mesmo assim, as pessoas levam uma semana para se adaptarem, afirmou.
Ela disse, ainda, que as pessoas que já possuem algum problema hormonal, que têm horário para tomar medicamento e os idosos podem sentir um pouco mais essa mudança, mas lembrando sempre que tudo é muito discreto. Normalmente quem sente mais isso, são as pessoas que têm que levantar sempre no mesmo horário. Quem não tem compromissos pela manhã e não precisa acordar num horário determinado, sente menos porque essa pessoa vai acordar a hora em que o corpo estiver pedindo. Já aquelas que têm que trabalhar, crianças que têm que ir ao colégio, e, conseqüentemente, acordar no mesmo horário todos os dias, vão sentir que ainda não estão descansados o suficiente até entrarem no ritmo, detalhou.
Quando o horário volta ao normal, o processo é o mesmo. Novamente, o organismo leva, em média, uma semana para se adaptar.
Cibele disse que o ideal é que a pessoa procure dormir mais cedo nos primeiros dias, faça uma alimentação mais leve e tome muito líquido, evitando também o cansaço. Assim, o organismo se adapta mais rapidamente.
Alimentação especial
Nos dias de clima quente, que se aproxima com o horário de verão, não podemos esquecer de repor a água e os nutrientes que perdemos através da transpiração e do esforço físico. Quando se transpira demais, perde-se minerais como potássio, zinco e vitaminas hidrossolúveis como a C e do complexo B. Para a reposição desses nutrientes devemos incluir em nossa dieta alimentos como: grãos integrais, ostras, carne de boi, frango e leite (ricos em zinco), batata, tomate e banana (ricos em potássio), cereais integrais, legumes, fígado de boi e carnes vermelhas (ricos em complexo B), frutas cítricas e vegetais verde-escuros (ricos em vitamina C). Por outro lado temos que dar atenção especial aos líquidos que vamos ingerir. Sem dúvida devemos tomar bastante água e suco de frutas frescas. Os sucos industrializados costumam ter açúcar e conservantes em excesso. É importante aumentar o consumo de frutas frescas, que contêm cerca de 80% a 90% de água e, em sua maioria têm poucas calorias e muitas fibras e vitaminas. As bebidas isotônicas são mais indicadas para atletas, podendo ser consumidas por quem não pratica esportes desde que com moderação.
Cereais integrais, frutas, verduras, arroz, feijão e batata são ricos em carboidratos complexos, ótima fonte de energia e essenciais para regular a quantidade de açúcar no sangue, evitando a hipoglicemia (falta de açúcar no sangue, que pode ter como causa, entre outras, a má alimentação e gasto excessivo de energia).
Os carboidratos simples, por serem rapidamente absorvidos, desestabilizam a taxa de açúcar do sangue, oferecendo somente picos de energia. Devem ser portanto evitados o açúcar e os doces em geral.
Um mínimo de gordura é necessário ao organismo, mas devemos dar preferência às ricas em ácidos graxos polinsaturados, como óleos e gorduras vegetais, pois são mais saudáveis e não aumentam as taxas do colesterol sangüíneo.
A ingestão de sal, principalmente no verão, deve ser controlada para evitar retenção hídrica e um conseqüente inchaço.
Para facilitar a digestão, é bom fazer refeições pouco volumosas várias vezes ao dia (de 4 a 6 pequenas refeições), compostas de carnes magras, queijos brancos, leite desnatado, verduras, legumes, frutas, cereais e leguminosas. Refeições muito volumosas ou compostas por alimentos ricos em gorduras (queijos amarelos, manteiga, leite integral, carnes gordas, frios, embutidos, banha, frituras), massas ou doces muito elaborados são de difícil digestão, sobrecarregando o sistema intestinal e causando uma sensação de moleza e sonolência.