O abrigo para meninas do Cevac foi inaugurado em julho e depende de convênio com a Prefeitura para funcionar.
O abrigo para meninas carentes em situação de risco com idade entre 12 e 17 anos, do Centro de Valorização da Criança (Cevac), que fica no Núcleo Geisel, foi inaugurado em julho deste ano e ainda não começou a funcionar. O atendimento às crianças e adolescentes está dependendo de um convênio a ser firmado entre o Município e a entidade referente ao financiamento dos custos.
As obras do abrigo foram realizadas com recursos repassados pelo Lions Club Bauru/Estoril. O trabalho com as adolescentes deverá ser desenvolvido por uma equipe especializada e multidisciplinar, que inclui assistente social, psicóloga e professora. As meninas que não tiverem condições de sair da entidade para ir à escola terão aulas dentro do próprio abrigo. Com essa finalidade, uma sala da casa foi destinada a essa atividade.
De acordo com o padre Raulino Coan, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, é urgente a necessidade de que o convênio seja firmado. Quem tem obrigação de fazer o abrigo funcionar é a Prefeitura Municipal. A gente vai ter que usar de meios jurídicos para conseguir alguma coisa, expõe.
O padre alega que a Casa de Nazaré, até agora a única entidade que assiste meninas em situação de risco em Bauru, tem 20 vagas que estão sempre preenchidas. O Conselho Tutelar não sabe o que fazer com as meninas infratoras e em situação de risco, frisa.
A secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Sandra Scriptore, afirma que até a semana passada, os esforços estavam concentrados na definição do perfil das crianças que o abrigo deverá atender. Com esse objetivo, foi feito um levantamento para verificar qual é a população de meninas que o Conselho Tutelar precisa abrigar.
A Sebes constatou, segundo Sandra, que existem outros casos, no Município, em que há necessidade de abrigo. Alguns deles são meninas que vêm de outra cidade e não têm onde ficar, menores grávidas, e aquelas cujo relacionamento com a família está inviável. Não é só menina que mora na rua. Chegou-se à conclusão que nós temos um perfil diferenciado de meninas que precisam ser atendidas em abrigo, expõe a titular da Sebes.
O impasse, após a definição do perfil das menores que serão atendidas pelo abrigo do Cevac, é o financiamento. De acordo com Sandra, estão sendo realizadas reuniões para discutir quanto o poder público poderá disponibilizar, já que o orçamento da Sebes estaria comprometido.
A secretária do Bem-Estar Social acrescentou que, em virtude da falta de recursos, está sendo estudada a possibilidade da realização de uma campanha para arrecadar fundos para que o abrigo possa entrar em funcionamento. O Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente e o próprio Conselho Tutelar ficaram de achar uma saída para isso, junto com a Prefeitura, afirmou Sandra.