Resistem em nossa memória as interessantes colocações constantes de um folheto, avulso, solitário, que encontramos sobre a bem enfeitada mesa de uma moderna lanchonete da nossa Minas Gerais, onde nascemos um dia e da qual nos separamos há 50 anos, porém tão querida como este nosso estupendo São Paulo. Aconteceu por ocasião de esticada turística que tivemos a oportunidade de fazer a Belo Horizonte, realmente bela como seu nome afirma solenemente. Ainda não esquecemos o exemplar porque ele reproduzia vaidosa, mas corretamente, a filosofia identificadora, em pensamentos e termos inspirados, da personalidade social e humana dos filhos do seu grande e histórico Estado, dizendo, intuitivamente, que ser mineiro é não dizer o que faz e nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que na verdade sabe, é falar pouco e escutar muito atentamente, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir Bancos, é não passar rasteira nas pernas do vento, é só acreditar na fumaça quando vê o fogo, é amar profundamente a liberdade, é ser fidalgo e elegante, é ter simplicidade e pureza, é dizer sonoramente o seu uai, é ouvir o cantar dos pássaros e sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida.
É isso aí... Contudo, o mineiro Itamar Franco andou dando umas que obscurecem um bocado o desenhado perfil dos nossos coestaduanos, lá das históricas e elevadas Alterosas. Manifestando-se crítico de determinados atos da administração federal ele parece ter pensado pouco e falado demais, indigitando-os como erros crassos do chefe da Nação e de vários de seus ministros e assessores. Até já chegou a sugerir a renúncia do presidente, o que para a opinião pública teria sido um exagero, um escorregão incompatível a um coestaduano de grandes futebolistas, entre os quais o famoso Pelé, que, segundo conta a história, nunca pisou na bola... Há que se deduzir que os ouvintes e conselheiros do governador, se é que os tem e os consulta, também têm pisado na esfera, permitindo que o chefe cutuque, daquela forma, a maior autoridade do País, contra o qual muitos têm restrições mas respeitam, atendendo à verdade de que errar é humano e, por isso, ainda não apareceu nas quebradas nenhum mentor que não tenha errado alguma vez. Quase todos também um dia achataram a pelota, mas marcam gols, chutando-a para as redes... É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.