A Operação Padroeira deste ano teve mais vítimas do que a do ano passado. Entretanto, acidentes diminuíram.
Neste ano, 150 pessoas ficaram feridas nas estradas da região, durante o feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Esse número representa um acréscimo de 30,43% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar, do aumento no número de vítimas, foi registrada a mesma quantidade de mortes, em comparação ao feriado de 2000: 11 (ver tabela completa nesta página). A informação é do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, que concluiu ontem, às 12 horas, a operação Padroeira, iniciada na última quinta-feira, véspera de feriado.
Se houve aumento de vítimas, entre leves, graves e fatais, o mesmo não ocorreu com os acidentes. Nesse quesito, a polícia registrou uma redução de 11,31%. Foram 168 acidentes ano passado contra 149 neste ano. Para o tenente Dário Birochi Veiga, a desproporção entre acidentes e vítimas, tem explicação.
Isso reflete algumas coisas. Enquanto você tem uma engenharia automotiva e viária muito boa, que aumenta o sentimento de segurança do motorista, existem pessoas, que, em razão desse sentimento de segurança, acabam abusando, acredita. Observando as ocorrências registradas neste fim de semana prolongado, o tenente chegou à conclusão de que a maior parte dos acidentes poderia ser evitada. Dos 149 acidentes, eu garanto que, no mínimo, 130 poderiam ser evitados, se não todos eles. Além do excesso de confiança, Veiga credita a ocorrência de acidentes a outros três fatores. Nos acidentes registrados houve muita imprudência, muita negligência, muita displicência de um modo geral. A segurança foi relegada a um plano secundário, e isso está sendo o fiel da balança, ressaltou.
Para justificar sua observação, o tenente lembrou que cerca de 82% das mortes ocorreram no período noturno. Dos 11 mortos, apenas dois morreram durante o dia, segundo Veiga.
Outro detalhe lembrado pelo policial, é que a maior parte dos acidentes teria acontecido na quinta e sexta-feira, quando, teoricamente, o motorista sai do serviço, cansado, e pega a estrada, à noite, para chegar o mais rápido possível ao seu destino. Essa combinação (cansaço e pouca visibilidade) é altamente prejudicial, na opinião do tenente.
Ficar muito tempo sentado, compromete a circulação sangüínea e prejudica a circulação de oxigênio no cérebro. Isso deixa a pessoa sonolenta, adverte Veiga, referindo-se ao tempo que o motorista passaria sentado, em um escritório (antes da viagem) e no veículo.
Apesar dos constantes alertas feitos pela Polícia Rodoviária, quase todos os acidentes, segundo os policiais, são repetições de erros, como ultrapassagem em pista simples e má conservação do veículo, sempre lembrados pela polícia, antes de feriados prolongados.
Mesmo assim, o tenente garante que os policiais não se sentem como se estivessem pregando no deserto. Se a gente conseguir, com a insistência, evitar uma morte que seja, todo o trabalho já valeu a pena, disse Veiga. Nós ficamos chateados porque ainda muitos (motoristas) se consideram deuses ao volante e quando descobrem que não o são, muitas vezes, já é tarde demais, comentou o tenente.