Os juros do penhor de jóias pela Caixa Econômica Federal (CEF), tidos como as menores taxas do mercado, acabam inflados pela cobrança de 0,6% da avaliação da jóia a título de Taxa de Abertura de Crédito (TAC) e 0,8% da avaliação como seguro. Assim, taxa que a instituição costuma divulgar como 3,62% para avaliações de jóias acima de R$ 300,00, na verdade, acaba sendo de 5,02% sobre o valor de avaliação, num contrato de 28 dias, o que muitos usuários só acabam percebendo após a realização da operação.
No mesmo prazo, a taxa para avaliações até R$ 300,00, anunciada como 3,03% chegam a 4,43% com a inclusão da TAC e do seguro. Se levadas em consideração outras linhas de financiamento, como cheque especial, que tem juros de cerca de 9%, ou empréstimos pessoais cerca de 7% , os juros do penhor ainda são mais baixos, porém perdem a grande distância aparente que existiria com as outras modalidades, o que é um dos maiores atrativos.
Selma Peres Rubira, gerente da agência Bauru da Caixa, afirma que a TAC e o seguro são cobrados por contrato (cautela). Assim, quando um usuário opta por prazos mais longos, como 56 ou 84 dias, as taxas de juros vão ficar menores, pois as despesas só serão cobradas uma vez no período. Assim, quem opta pela renovação mensal acaba pagando mais pelo empréstimo garantido pelo penhor. Então, a dica para quem não pensa em resgatar as jóias num curto período é que faça os empréstimo com prazos maiores, desde que tenha dinheiro para suportar o pagamento dos juros do período.
A gerente da Caixa lembra que a maioria das operações de créditos acaba cobrando taxas e encargos, o que também eleva as taxas de juros divulgadas pelos bancos.
Selma Rubira destaca que o penhor tem uma procura constante na Caixa, até pela vantagem nas taxas de juros finais, que ainda são mais baixas que as de outros tipos de crédito e por ser menos burocrático.
Uma pesquisa da Caixa mostrou que 80% dos clientes que optam por esse tipo de empréstimo acabam fazendo novamente, quando necessitam de dinheiro. Porém, a avaliação do Escritório de Negócios da instituição é a de que as pessoas ainda não conhecem bem o produto e, por isso, acabam optando por outras formas de financiamentos que, em sua maioria, operam com taxas maiores e são mais burocráticas.
Vale lembrar que o penhor é uma operação de crédito voltada exclusivamente para pessoas físicas e que se caracteriza por sua forma simplificada de acessabilidade do público ao crédito, principalmente os excluídos do sistema financeiro por não possuírem renda comprovada ou por restrições cadastrais, deixando as jóias em garantia do pagamento do empréstimo contratado.
Uma vantagem do penhor, para quem está em dificuldades financeiras, é que não há necessidade de realização de pesquisa cadastral e o cliente não precisa apresentar avalista, bem como comprovar o direcionamento do crédito.
O empréstimos é limitado a 80% do valor de avaliação. Os prazos de empréstimo disponíveis são de 28, 56 ou 84 dias, podendo ser renovados.
Em janeiro deste ano, a Caixa realizou uma pesquisa com os clientes que utilizam esse tipo de operação, com o objetivo de identificar o perfil do cliente do penhor, bem como as motivações para o uso do produto. Os resultados foram os seguintes: a grande maioria é do sexo feminino (74%); mais da metade (55%) tem entre 30 e 49 anos; 61% estão trabalhando; e 51% têm renda média familiar entre cinco e 20 salários mínimos.
A principal razão da penhora, segundo a pesquisa, é o pagamento de dívidas pessoais, com um percentual de 70%. De cada 10 clientes, oito já utilizaram o penhor antes entre outros.