(*) repórter da Tribuna Impressa especial para o JC
O antraz, bactéria que está provocando o pânico de uma guerra bacteriológica nos Estados Unidos, registrava até a tarde de ontem uma morte e a contaminação de várias pessoas naquele país. O carbúnculo é outro nome do antraz e, segundo o médico veterinário sanitarista Raphael Augusto de Arruda Dosualdo, a doença pode se manifestar de duas formas: a sintomática, que ataca os animais, e a hemática, que ataca o ser humano. A bactéria que causa a doença, o Bacillus Anthracis, normalmente atinge animais de fazenda, e recebeu o nome de anthracis, palavra grega que significa carvão, pois a infecção pode causar cicatrizes negras na pele.
De acordo com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada (Cati) de Araraquara, o último caso registrado na região de carbúnculo em gado bovino foi há quatro anos, em 1997, na cidade de Nova Europa. Na época, pelo menos um animal chegou a ser sacrificado por apresentar sinais da doença. Nenhum caso foi registrado pelo setor de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Araraquara nas últimas quatro décadas, garante Raphael Doualdo.
Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil não existe registro de casos da doença em humanos. E, atualmente, o risco de se contrair a doença é mínimo. O tratamento deve ser feito com receita médica e por meio de antibióticos.
Essa infecção cutânea não é especialmente perigosa, mas a bactéria pode formar esporos capazes de sobreviver quando são triturados, desidratados, enterrados ou borrifados, e tornam-se ativos em um ambiente quente e úmido como o interior do nariz.
Os esporos podem crescer durante meses antes de causar sintomas. Sem um tratamento antibiótico rápido, mais de 80% das pessoas que ficam doentes após inalar esporos de antraz morrem.
De acordo com Dosualdo, a reprodução da bactéria pode ser feita em laboratório. Ele informou que os primeiros sinais da doença foram verificados por Moisés. Em 1613 pelo menos 60 mil pessoas morreram no Sul da Europa em razão da doença.
O diagnóstico laboratorial de carbúnculo ou antraz é feito por intermédio do isolamento do Bacillus anthracis em amostras de sangue, lesões de pele ou secreções respiratórias.
Sintomas
Na maioria dos casos, a doença se inicia entre o 5º e o 7º dia após a exposição. Entretanto, foram registrados casos que se iniciaram a partir do 1º dia até a 8º semana após a exposição. A doença pode apresentar as seguintes manifestações clínicas, de acordo com a forma de transmissão:
Forma cutânea: é a apresentação mais comum (cerca de 95%). Resulta da introdução de esporos por intermédio de lesões na pele. Os locais mais comuns de ocorrência são mãos, braços e cabeça. A lesão inicial se assemelha a uma picada de inseto que, em um a dois dias, se desenvolve em uma úlcera indolor com uma área necrótica escura (preta) no centro. Na ausência do tratamento antimicrobiano adequado, a forma cutânea pode resultar em óbito em cerca de 20% dos casos.
Forma respiratória: é provocada pela introdução de esporos por intermédio do trato respiratório. Os sintomas iniciais se assemelham aos de um resfriado comum e em um ou dois dias podem progredir para sérios problemas respiratórios e choque. A forma respiratória do Carbúnculo ou Antraz é fatal em 90% a 100% dos casos.
Carbúnculo ou antraz intestinal: resulta da ingestão de carne contaminada e é caracterizado por uma inflamação aguda do trato gastrointestinal. Os sintomas iniciais incluem perda de apetite, náusea, vômitos e febre. O carbúnculo ou antraz intestinal resulta em óbito em 25% a 60% dos casos.