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Secretária de Saúde não vê motivo para pânico

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, não vê motivos para que os bauruenses entrem em pânico por causa de suspeita de antraz. Apesar de recomendar que, havendo suspeita os bombeiros sejam acionados, ela acredita que os casos registrados em Bauru até ontem não passam de alarmes falsos, de brincadeira de mau gosto.

Mesmo sendo antraz, a médica ressalta que o tratamento com o antibiótico indicado é eficaz. Sobre a moradora da Vila Nipônica que apresentou uma mancha na pele após manipular um envelope suspeito, anteontem, Eliane lembrou que os sintomas do antraz demoram alguns dias para surgirem.

Eliane disse que o Departamento de Vigilância Epidemiológica do Município foi acionado para contactar a moradora que recebeu o envelope. A médica explicou que as pessoas suspeitas de contaminação devem ter amostras da pele coletadas. Essas amostras, como os produtos suspeitos, serão analisados pelo Instituto Adolfo Lutz. Ela explicou que o exame de sangue não é indicado para detectar a doença. O antraz, de acordo com Eliane, pode se apresentar de três formas: cutânea, que é a forma mais comum e branda; respiratória, a mais grave; e a intestinal, causada pelo consumo de carne de animal que teve a doença (veja mais no boxe).

A infecção cutânea não é especialmente perigosa, mas a bactéria pode formar esporos capazes de sobreviver quando são triturados, desidratados, enterrados ou borrifados, e tornam-se ativos em um ambiente quente e úmido como o interior do nariz. Os esporos podem crescer durante meses antes de causar sintomas. Sem um tratamento antibiótico rápido, a bactéria lança toxina no organismo, o que pode levar à morte.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil não existe registro de casos de antraz em humanos. Atualmente, o risco de se contrair a doença é mínimo. O tratamento deve ser feito com receita médica e por meio de antibióticos.

Antraz

* Forma cutânea: é a apresentação mais comum (cerca de 95%). Resulta da introdução de esporos por intermédio de lesões na pele. Os locais mais comuns de ocorrência são mãos, braços e cabeça. A lesão inicial se assemelha a uma picada de inseto que, em um a dois dias, se desenvolve em uma úlcera indolor com uma área necrótica escura (preta) no centro. Na ausência do tratamento antimicrobiano adequado, a forma cutânea pode resultar em óbito em cerca de 20% dos casos.

* Forma respiratória: é provocada pela introdução de esporos por intermédio do trato respiratório. Os sintomas iniciais se assemelham aos de um resfriado comum e em um ou dois dias podem progredir para sérios problemas respiratórios e choque. A forma respiratória do carbúnculo ou antraz é fatal em 90% a 100% dos casos.

* Carbúnculo ou antraz intestinal: resulta da ingestão de carne contaminada e é caracterizado por uma inflamação aguda do trato gastrointestinal. Os sintomas iniciais incluem perda de apetite, náusea, vômitos e febre. O carbúnculo ou antraz intestinal resulta em óbito em 25% a 60% dos casos.

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