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Jovens sofrem de transtornos do humor

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Sintomas que parecem típicos da idade podem tratar-se de transtornos de humor na adolescência

A adolescência é o período em que jovens entre 11 e 17 anos sofrem as maiores transformações de suas vidas. Não apenas físicas, mas também cognitivas, emocionais e comportamentais. As mudanças são tão repentinas que muitas vezes assustam não apenas os jovens, mas também todos os que estão à sua volta. Porém, em alguns jovens, o que parecem características normais desta fase de transição podem, na realidade, tratar-se de transtornos psiquiátricos, como os de humor.

De acordo com o médico psiquiatra Manoel de Maria Teixeira, os quadros de transtornos de humor na adolescência eram pouco diagnosticados porque são expressos diferentementes para a pessoa adulta. O jovem, por exemplo, pode apresentar irritabilidade, agressividade ou utilizar-se de drogas, entre outros sintomas. Hoje, sabemos que 78% dos casos de esquizofrenia diagnosticados no passado tratavam-se de transtornos de humor, disse.

Teixeira explicou primeiro o que é o humor: é a maneira como nos sentimos afetados com os acontecimentos da vida, positivamente, quando ouvimos uma música que gostamos, o cheiro de um perfume ou de uma comida que nos faz reviver uma emoção positiva; ou negativamente, quando presenciamos um pai, um adulto abusando de uma criança, isso pode nos afetar de maneira negativa pela agressividade com a qual nos deparamos, detalhou.

O adolescente, de acordo com o médico, tem os transtornos diferentes do adulto. O jovem, normalmente, apresenta sintomas como depressões, crises de manias, transtornos afetivos bipolares, que são onde a pessoa passa por fases de euforia, depressões severas, idéias suicidas. Os transtornos de humor podem se agravar com os acontecimentos da vida. Apesar da pessoa já ter o humor afetado normalmente, independente dos acontecimentos, essa doença pode se agravar com a fase que o adolescente passa de vestibular, pressões que ocorrem devido às grandes mudanças existentes nessa idade, disse.

Depressão

A depressão é o principal transtorno de humor na adolescência e ocorre de maneira um pouco diferente do que no adulto. No adolescente a depressão se mostra de maneira diferente. Normalmente, ele pode usar drogas, ficar facilmente irritável, dormir muito ou ter insônia, comer muito ou não ter apetite, fazer sexo demais ou de menos, ou seja, é preciso observar cada atitude para se diagnosticar o transtorno, afirmou.

Os pais devem estar atentos para as mudanças de comportamento existentes nessa fase. O jovem tende a iniciar uma vida nova, onde ele se sente mais independente e acredita que pode agir mais facilmente de acordo com suas idéias. Isso é normal. O importante é perceber quando isso foge de controle. Nesse caso, poderá estar ocorrendo algum distúrbio e os pais devem, então procurar ajuda médica.

O tratamento para os transtornos do humor é multidisciplinar, feito através de terapias e medicamentos.

Além da depressão, há os transtornos de raiva, mudança de temperamento, agressividade. Tudo isso é humor e deve ser bem avaliado porque pode se tratar de transtorno de personalidade ou de humor. Há que definir bem cada caso, disse.

Cérebro

A questão da escolha do curso que o jovem irá prestar no vestibular é um dos pontos cruciais para o adolescente. Essa fase mexe muito com todos os sentidos do organismo. Euforia, preocupação, nervosismo, pressão, indecisão, vários sentimentos comandados pelo cérebro são ativados fazendo com que os hormônios se alterem de forma espantosa.

De acordo com a médica endocrinologista, Maria Augusta dos Anjos, é muito difícil para o adolescente entender o que se passa nessa fase. As transformações são enormes para alguns, outros, mais maduros, não sentem tanto, mas as mudanças são inevitáveis e para lidar bem com isso é preciso muita compreensão da família, disse.

Ela explicou que é normal os jovens se tornarem um pouco agressivos e rebeldes, mas depende dos pais também imporem limites e não deixar que a situação saia do controle. Um acompanhamento psicológico nessa fase ou um pouco antes é muito bom. Sempre ajuda porque o jovem tem alguém para conversar, com quem pode falar de tudo, sem medo de ser reprimido. Ele desabafa e ouve explicações sensatas sobre o que está se passando. Se ele não tem com quem conversar em casa, procura conversar com os amigos que estão passando pelas mesmas experiências e não entendem também, portanto as idéias não são claras e em nada acrescentam, explicou.

A Associação Paulista de Medicina (APM) estará promovendo no próximo dia 24, o evento Transtornos de Humor na Adolescência, em São Paulo, onde além do médico Manoel De Maria Teixeira, participarão como palestrantes os médicos Salvador Rossis Bussi e June Melles Megre.

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