Geral

Os primeiros sinais de uma nova civilização

(*) Jorge Boaventura
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto o mundo, estarrecido, ainda não conseguiu assimilar, quanto ao seu significado, os acontecimentos internacionais em curso, deflagrados a partir do atentado carregado de simbolismo praticado contra o World Trade Center, nós continuamos a ver neles uma confirmação do fim próximo da atual civilização que, há cerca de quatro anos, temos anunciado aos que nos honram com a sua atenção, lendo-nos ou ouvindo-nos. Não apenas, nem principalmente, pelo horror das práticas de desespero terrorista levadas a cabo em N.Y. e em Washington, ou de mais uma massacre que se vem realizando em área longínqua e miserável do mundo pelos que se pretendem representantes do Bem e da Justiça mas, ao contrário, pela consciência que vem surgindo e se afirmando, cada vez mais nitidamente, a nível de todos os povos, sobre o fato de que a violência não é combatível pela violência, mas pelo amor e pela justiça. Em outros termos, diríamos que, com 2000 anos de atraso, começa a prevalecer a lição do Cristo que veio, não para abrogar a Lei, mas para reinterpretá-la, recomendando o perdão e o amor, e não disposição do olho por olho, dente por dente. Realmente, a despeito do domínio, praticamente total, de todos os grandes veículos da mídia internacional, exercido pelos poucos que construíram o formidável poder que detêm, em grande parte sobre as carências, necessidades e misérias da maioria, vem se impondo o sentimento de que as brutalidades que têm praticado e, agora, voltam a praticar contra o Afeganistão, não é o caminho da paz e da felicidade de que ela é indispensável condição. Assim, por toda a parte, e não apenas nos países islâmicos, surgem protestos populares contra a violência. E isso, segundo nos parece e oferecemos à consideração da inteligência e da consciência dos que nos honram com a sua atenção, representa como que os primeiros, e promissores, sinais do surgimento de uma nova civilização que haverá de surgir sobre os escombros da atual que, referta de bens materiais, tem se mostrado cada vez mais indigente e mais contraditória em relação às raízes culturais de que se originou. A indigência a que acabamos de referir-nos, patenteia-se na licenciosidade crescente, na aluição da instituição familiar, nos vícios e taras que se disseminam reproduzindo o quadro que, monotonamente, através dos tempos, tem caracterizado os períodos de decadência de todas as civilizações que nos precederam e foram substituídas por outras sempre, em aspectos fundamentais, superiores às que as precederam e sobre cujas ruínas foram erguidas. É que, supomos, de fato, existe o que temos designado como 2º plano da História, que é o plano Providencial que, ainda segundo supomos, atua também no processo evolutivo, desde a matéria amorfa, passando às formas mais simples de vida, até às mais complexas de vertebrados e mamíferos, culminando com o surgimento do homem, sem sombra de dúvida, a obra mais complexa e portentosa do universo. Por isso, porque tal processo evolutivo é comandado pelo 2º plano da história e da vida, é que em vão se têm esforçado os que insistem em ignorá-lo, na busca do elo perdido, que continua tão perdido hoje como sempre esteve, desde Comte de Buffon, de Lammarck, de Darwin ou de De Vries.

No momento, em meio às apreensões mais do que justificáveis que a todos nos assaltam, insistimos em apontar como uma espécie de luz no final do túnel, o alvorecer de uma nova consciência coletiva, mais próxima, muito mais próxima do entendimento da lição que, do alto do Gólgota, nos foi dada e tem sido tão mal compreendida até aqui. Agradecemos ao Criador por ela.

(*) Home-page: www.jorgeboaventura.jor.brE-mail: boaventura jorgeboaventura.jor.br

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