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Sinergia é escolhido por eletricitários

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Trabalhadores da CPFL e da CTEEP votaram no referendo para definir o sindicato que representará a categoria.

Os eletricitários bauruenses da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) definiram, ontem, o sindicato que irá representar a categoria.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Energética de São Paulo (Sinergia-CUT) foi escolhido através de um referendo, que foi a forma adotada para definir a questão. O processo eleitoral contou com o apoio e acompanhamento da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local e foi coordenado pela Subdelegacia do Ministério do Trabalho de Bauru.

A eleição foi realizada, ontem, nas empresas e a apuração foi realizada, por volta das 18 horas, na sede do Sinergia, localizada na rua Araújo Leite, quadra 13. Ao final do processo eleitoral, o Sinergia/CUT obteve mais de 90% dos votos. Na primeira urna, da CTEEP, onde votaram 221 trabalhadores, 200 referendaram o Sinergia, 19 foram contrários e dois anularam o voto. Na segunda urna, da CPFL, o sindicato obteve 117 votos favoráveis e apenas 8 contra, sendo registrados apenas um voto branco e três nulos.

Segundo Francisco Wagner Monteiro, vice-presidente do Sinergia-CUT, o plano da entidade é continuar atuando na integração da categoria. Queremos organizar a categoria para que as empresas não possam, de novo, usufruir desse impasse de base territorial que, na verdade, é uma falha da Justiça. Vamos fazer todos os esforços para demonstrar às empresas qual a entidade que a categoria entende como representativa, tendo em vista que a direção dessas firmas aproveitam dessa fraqueza na mesa de negociação, reduzindo conquistas dos trabalhadores, considerou.

Outro objetivo destacado por Monteiro fixa-se na campanha salarial. Mostrando que a categoria é organizada e tem uma entidade representativa, estaremos caminhando no próximo ano para uma campanha salarial de renovação do acordo coletivo. Esse referendo vai nos fortalecer para continuarmos na luta na defesa dos interesses não somente dos trabalhadores, mas também do setor elétrico, afirmou.

Na opinião do vice-presidente, o referendo dará mais força à entidade para defender o interesse da sociedade, que é a manutenção do serviço público de energia. A empresa de transmissão, atualmente, é o elo de ligação entre a geração à distribuição. Com a manutenção desse serviço público, a sociedade pode ter mais garantia que nenhuma delas irá estrangular o consumidor, fato que está acontecendo hoje, argumentou Monteiro.

Jesus Francisco Garcia, diretor de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente do Sinergia-CUT, explicou que a entidade terá, a partir de agora, duas frentes de ação. Os trabalhadores poderão entrar na justiça e reivindicar a representação do Sinergia, pois foi a sua vontade manifestada no referendo. Também vamos para a mesa de negociação dizer para a direção das empresas quem os trabalhadores querem que os represente nas negociações e na fiscalização do contrato de trabalho, pois esse é o nosso papel, finalizou o diretor.

Sindluz contesta

O Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sindluz) contestou a realização do referendo. Segundo o seu presidente, Luiz Cássio Delise Moura, o processo eleitoral foi realizado de maneira ilegal e a participação de algumas entidades, como a OAB e a Subdelegacia Regional do Trabalho de Bauru, feriu a autonomia sindical. Não participamos porque não disputamos base nenhuma, pois ela é nossa. O que eles (integrantes do Sinergia-CUT) colocaram para os trabalhadores foram inverdades. Estão dizendo que o referendo teve a coordenação da Subdelegacia Regional do Ministério do Trabalho. Isso quer dizer que eles não têm força para nada e acabam usando o próprio órgão do governo, interferindo na autonomia sindical e colocando até a OAB para fiscalizar, disse ele.

Moura afirmou, ainda, que algumas ações na Justiça que reivindicavam a base - Bauru, Botucatu, Lins e Marília - já deram ganho de causa ao Sindluz. Temos documentos que eles (o Sinergia-CUT) entraram contra nós reivindicando a base. Um dos processos foi julgado em Bauru e deu a base para o Sindluz. Recorreram para São Paulo, junto ao Tribunal de Justiça, e referenderam a base para Bauru. Depois, recorreram para Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF), e o pedido deles também foi julgado improcedente. Até quarta-feira estarei de posse dessa certidão que pedimos em Brasília, que demora cinco dias, garante o presidente do Sindluz.

Ele criticou, ainda, as empresas. Fizeram isso com conivência da CTEEP e da CPFL, apesar de a gente ter apresentado toda essa documentação. Julgamos, através do nosso Departamento Jurídico, que esse referendo é ilegal e não representa nada para os trabalhadores, enfatizou Moura, para depois acrescentar: Além disso, fizeram o referendo sem discutir com o Sindluz, perante a base. Se querem a base para algum sindicato, que entrem no nosso sindicato, se associem e convoquem uma assembléia para depois fazermos um plebiscito. O que não podemos admitir é a ilegalidade desse referendo.

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