A quadrilha que pretendia roubar mais de R$ 400 mil em dinheiro da agência 1.º de Agosto do Banco do Brasil de Bauru, segundo uma das vítimas ouviu dos ladrões, anteontem, fez mais uma pessoa refém na fuga para a Capital. Clarisvaldo Venâncio, 33 anos, morador em Borebi, também foi seqüestrado domingo e libertado na manhã de ontem, em São Paulo, quando comunicou o fato à polícia.
Conforme o JC publicou na edição de ontem, um bando fortemente armado seqüestrou mais de 20 pessoas, começando com o técnico especialista em abertura de cofres Lúcio dos Santos e sua família, em São Paulo, na madrugada de domingo, com o objetivo de tentar roubar o Banco do Brasil, em Bauru. Enquanto os familiares de Santos eram mantidos reféns, em São Paulo, ele foi trazido para Bauru, onde várias pessoas, incluindo funcionários do banco, também foram raptadas pelos ladrões.
No entanto, no final da tarde de domingo, a quadrilha fugiu, abandonando todos os reféns numa fazenda, sem chegar a tentar abrir o cofre. Os ladrões levaram apenas R$ 640,00 em dinheiro, uma bicicleta e cobertores. O motivo que levou os ladrões a desistir do roubo ainda não foi esclarecido, mas acredita-se que eles tenham suspeitado que estavam sendo seguidos pela polícia.
Quatro ladrões fugiram de Bauru no Apolo, placas BHK 4466, de Bauru, roubado de uma chácara perto da Unip, e levando como refém Paulo Sérgio Polli. Armados com fuzis e metralhadoras, ocupando o Apolo, eles chegaram à fazenda Mamedina, no município de Borebi, onde Venâncio trabalha. Os marginais renderam três casais e algumas crianças que estavam na propriedade rural e trocaram de carro.
O dono do Apolo roubado pela quadrilha, Paulo Sérgio Polli, que havia sido levado da chácara Primavera, localizada próximo da Unip, em Bauru, foi deixado na fazenda Mamedina. No local, os ladrões pegaram um Gol vermelho de propriedade de Venâncio e seguiram para São Paulo, levando o dono do veículo como refém.
Os bandidos avisaram os reféns que caso Polli ou as outras pessoas da fazenda comunicassem a polícia, Venâncio seria morto. Os ladrões seguiram para São Paulo por estradas vicinais, provavelmente para evitar encontrar-se com a polícia.
De acordo com a Polícia Civil de Borebi, só depois que Venâncio foi libertado, em São Paulo, é que seus familiares comunicaram o fato à polícia, por volta das 4 horas de ontem. Segundo a polícia, Paulo Sérgio Polli relatou em seu depoimento que, por volta das 16 horas, em companhia do proprietário do Apolo, José Genesi Rodrigues, encontrava-se na chácara Primavera colhendo frutas, quando foram surpreendidos por quatro desconhecidos.
Os homens, que ocupavam uma Belina, queriam trocar de carro, pois diziam que aquele já estava visado pela polícia. Os dois foram rendidos e Polli foi escolhido para seguir com os ladrões. Os cinco seguiram em direção à Capital. Próximo a Borebi, os ladrões decidiram que trocariam de veículo novamente.
Segundo Polli, a quadrilha passou a rodar por propriedades rurais observando em qual havia um carro novo. Os ladrões viram um Gol na fazenda Mamedina e entraram. Lá, os ladrões fizeram como refém Venâncio.
De acordo com o cabo Mário Rogério Pedrolo, comandante do policiamento de Borebi, que ouviu Venâncio ontem à tarde, na fuga para a Capital a quadrilha encontrou com uma viatura da polícia, entre Americana e Campinas. Os ladrões, segundo Venâncio disse à polícia, ficaram nervosos quando perceberam que a viatura policial fazia um retorno na direção deles e chegaram a quebrar os vidros do veículo para melhor mirar suas armas.
No entanto, a viatura policial não suspeitou do Gol, mas sim de um Chevette que seguia atrás do carro ocupado pelos ladrões. Enquanto os policiais abordavam o Chevette, os ladrões fugiram no Gol. De acordo com Venâncio, os ladrões estavam armados com dois fuzis, seis pistolas e uma metralhadora e afirmaram que iriam atirar contra os policiais caso o carro fosse abordado.
(*) Colaborou Ieda Rodrigues
Ladrões são procurados
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) de Bauru, encarerregada de apurar o crime, ouviu ontem todas as vítimas do cárcere privado e retornou à fazenda Forquilha, quilômetro 365, da rodovia Bauru/Marília.
Na propriedade rural, a Polícia Civil de Piratininga apreendeu quatro botijões de gás, dois botijões de oxigênio, maçarico e equipamentos próprios para abrir cofre. Na Belina do comerciante D.A.L., usada pelos ladrões, foram encontrados mais dois coletes da Polícia Civil e um uniforme da empresa que faz segurança no Banco do Brasil de Bauru.
De acordo com o titular da DIG, delegado J.J. Cardia, o uniforme foi pego na residência do chefe de segurança. Com esta apreensão, o número de coletes da Polícia Civil apreendidos sobe para quatro, além do colete à prova de bala. As armas apreendidas foram identificadas como sendo uma pistola munida de silenciador e munições para AR-15 e 7.65. Botas, luvas e capuzes também foram apreendidos.
De acordo com o delegado, as investigações continuam e ainda é cedo para afirmar se os ladrões são da Capital e se havia ou não o envolvimento de alguém de Bauru na tentativa de assalto ao Banco do Brasil.