O adolescente Elias de Almeida Filho, agredido por um grupo durante um show de rock, morreu ontem à tarde.
O adolescente Elias de Almeida Filho, 16 anos, vítima de cerca de 30 agressores na última quinta-feira, e que estava internado no Hospital de Base com morte cerebral, morreu ontem à tarde. O rapaz está sendo velado na sala 2 da Funerária São Vicente e será enterrado às 10 horas de hoje, no Cemitério da Saudade.
Elias envolveu-se em uma briga que começou dentro do Centro Cultural da Prefeitura, localizado na quadra 8 da avenida Nações Unidas, durante um show de rock. A briga teria começado dentro do Centro Cultural e continuado na rua. Além de Elias, que foi agredido com barras de ferro e pedaços de pau e sofreu trauma crânio-encefálico, seu amigo, E.J.S.C., 18 anos, teve os dois braços quebrados.
Ele contou ao JC, no sábado, que as agressões começaram no Centro Cultural e continuaram na rua. A causa da briga teria sido uma rixa antiga com um rapaz pelo fato de Elias ter paquerado, há cerca de dois anos, a irmã dele. O rapaz não teria gostado e por isso, com outros amigos, agredido Elias. Antes disso, em outras ocasiões, eles teriam trocado ameaças.
O secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, conforme informou o JC ontem, decidiu suspender o projeto Arena, em que a banda Soul Rock se apresentava quando a briga começou, até o final deste ano. Ele ressaltou que, em dois anos do projeto Arena, essa foi a primeira vez que ocorreu uma briga. No entanto, preocupado com a repercussão do caso, o projeto, que abria espaço para bandas alternativas, está suspenso.
Losnak ressaltou que não há relação da briga com o show. A violência, disse, é uma situação generalizada na sociedade. Para ele, a briga foi obra de um grupo de baderneiros que poderia ter acontecido até na saída de uma igreja, por exemplo.
Elias, segundo parentes, era um menino trabalhador e ajudava a sustentar a mãe e a irmã, que moram no Parque Santa Cecília. Com 16 anos, ele trabalhava como office-boy através da Legião Mirim, cursava o 1.º ano do ensino médio e gostava de rock.
Uma tia do rapaz contou que parte de seu salário ia para as despesas da família com supermercado. Como gostava de música, especialmente rock, havia comprado um aparelho de som e uma guitarra a prazo sob a responsabilidade da tia, mas pagou todas as parcelas corretamente.
No dia que foi agredido, ele teria conversado com sua mãe, Maria Augusta de Almeida, que não gostava que o filho freqüentasse os shows de rock, e afirmado que iria melhorar suas notas na escola. Ele saiu de casa, segundo a tia, dizendo para a mãe que iria a um aniversário.
Para psicóloga, jogos violentos e TV influenciam negativamente
Jogos eletrônicos, filmes e programas de TV cuja a base é a violência influenciam os adolescentes e podem desencadear atitudes negativas, na opinião da psicóloga clínica Telma Regina Toniol. Ela ressaltou que os jogos eletrônicos são muito violentos, o que leva à banalização da violência por parte do adolescente.
Para ela, existe uma cultura de que o entretenimento para o adolescente e jovem tem que ter violência, o que acaba sendo negativo para quem está com a personalidade em processo de formação. Aliada à violência, Telma citou que o álcool, droga e a educação familiar falha também acabam influenciando de maneira negativa.
A psicóloga acredita que os pais devem filtrar os programas, os jogos e outras atividades de seus filhos desde quando eles são pequenos. No entanto, como em muitos casos o pai e a mãe trabalham fora, essa tarefa torna-se difícil.
O adolescente busca emoção nesses jogos violentos. Se o jogo não for violento, não é interessante. Hoje, o adolescente fica mais preso dentro de casa, dentro do apartamento. Mas a violência não está só na rua; está na TV, nos filmes, nos jogos eletrônicos e no computador. É uma exploração da imagem ao extremo, disse.