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Amigos do adolescente morto após ser agredido se dividem: enquanto alguns pedem paz, outros falam em vingança.

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Amigos do adolescente morto após ser agredido se dividem: enquanto alguns pedem paz, outros falam em vingança.

Mais de 200 jovens, além de familiares, acompanharam o enterro do adolescente Elias de Almeida Filho, 16 anos, agredido no último dia 18 por cerca de 30 pessoas, na saída de um show de rock no Centro Cultural da Prefeitura. O enterro foi recheado de emoção e desesperos, tanto dos familiares quanto dos amigos.

Os roqueiros se dividiram quanto ao futuro da turma: Uns querem vingança e outros pedem paz e amor. Com a garantia de sigilo, os amigos e conhecidos de Elias desabafaram para o JC. Para eles, a polícia não quer resolver o caso e não foi atrás de um rapaz que teria iniciado a agressão e estaria em Campinas. Ele mandou avisar que vai se apresentar à polícia com dois advogados, disseram.

Uma roqueira disse que a turma está se organizando porque a morte de Elias será vingada. Não vamos deixar barato. Vamos pegar a irmã do menino que matou ele. Questionada se ela sabia quem matou o adolescente, ela desconversou.

Outra adolescente, que chorava copiosamente, disse que a família e os amigos do agressor vão sofrer tudo o que eles sofreram com a morte de Elias. Ele era um garoto trabalhador e bom. Não podiam ter feito isso com ele, disse.

Em contrapartida, outra ala de roqueiros, também presente ao enterro, distribuía uma mensagem escrita por Raul Seixas sobre o rock. Queremos paz e não aceitamos a violência, disseram. Usando sinais, os roqueiros prestaram uma última homenagem ao amigo Elias. Flores brancas foram atiradas sobre o caixão, que entrou na sepultura sob o som da música Maluco Beleza, de Raul Seixas.

Espera em Jesus

A mãe do adolescente, Maria Augusta de Almeida, muito emocionada e inconformada com morte de Elias, disse ontem que espera em Jesus que a Justiça seja feita. Não acredito na Justiça dos homens, mas confio em Jesus, disse.

A mãe acha que os culpados devem pagar pelo que fizeram. Porque fizeram isso com o meu filho? Ele não merecia um fim tão trágico. Era um menino bom, trabalhador, lamentou.

Conforme o JC já publicou, por causa da agressão que causou a morte de Elias, a Secretaria Municipal de Cultura suspendeu o projeto Arena até o final deste ano. O adolescente foi agredido durante show de rock realizado no Centro Cultural através do projeto Arena, que abre espaço para apresentação de bandas alternativas da cidade.

O secretário de Cultura, Sérgio Losnak, disse ao JC ontem que está muito abalado com a morte de Elias e preferiu não conceder entrevista sobre o caso. A informação da Secretaria de Cultura é que as demais atividades desenvolvidas no Centro Cultural, que não têm nenhuma relação com o projeto Arena, não sofreram alteração de programação e de público.

Inquérito policial corre pelo 3o DP

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) está ouvindo os envolvidos no caso da agressão seguida de morte do adolescente Elias de Almeida Filho. Dois dos jovens ouvidos pelo delegado J.J. Cardia, titular da DIG, admitiram que participaram da agressão. O delegado já enviou as informações coletadas ao 3.º Distrito Policial, que instaurou inquérito para apurar o caso.

Os quatro vigilantes do Centro Cultural, que estavam trabalhando no dia da agressão, foram ouvidos ontem. O teor do depoimento dos vigilantes não foi divulgado, mas Cardia disse que os esclarecimentos dos vigilantes foram de grande valia para o caso.

Os jovens maiores de 18 anos envolvidos na agressão serão indiciados por lesão corporal seguida de morte, o que agrava a pena, variando de 4 a 10 anos de reclusão. Já os menores devem responder sindicância pela Vara de Infância e Juventude.

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