A Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) foi notificada pela Prefeitura Municipal, nesta semana, de que a frota em operação vai cair dois atuais 124 veículos para 60, a partir do próximo dia 23 de novembro. A situação preocupa o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Bauru e Região (Sindtran). O presidente da entidade, Elias Pinheiro da Silva, teme que a situação leve à demissão de cerca de 400 empregados da ECCB. A empresa vai perder mais da metade da frota atualmente em operação e só tem a oportunidade de operar com um contrato emergencial.
Elias Pinheiro da Silva está receoso de que o pior pode estar por vir. É sabido no sistema de transporte coletivo que a ECCB não tem recursos para pagar as rescisões contratuais. Os trabalhadores não têm garantia de que terão emprego a partir de novembro próximo e muito menos de que vão receber o que têm direito. Se a ECCB ficar só com 60 ônibus ela terá muitas dificuldades de operar, vai ficar muito difícil, comentou Pinheiro. Mais do que isso, o sindicalista adverte que do jeito que está, a ECCB será levada à falência. O prefeito estava preocupado, há alguns meses, em não ser o autor da eutanásia contra a ECCB. Mas ele está tomando medidas que levam à morte do paciente aos poucos. Ele não demonstra preocupação com o sistema, os usuários, nem com os trabalhadores, mas somente com o risco da Prefeitura sofrer uma ação de indenização.
O representante do sindicato considera um absurdo a Prefeitura envolver linhas da ECCB em um processo entre a TUA, a Kuba e a Uematsu. Assim, Elias Pinheiro adiantou que se a situação ficar como está, nós vamos brigar, desde já, pela garantia de emprego. O prefeito não pode obrigar a nova empresa a contratar toda a mão-de-obra da ECCB, mas pode fazer pressão política para que isso ocorra e só ele tem esta atribuição e poder.
Elias disse que a entidade procurou a Uematsu para saber em que condições a empresa vai operar na cidade. Mas até agora a categoria não foi respeitada. Não fomos atendidos, nem por ofício, nem por telefone. A Uematsu foi considerada pela Justiça vencedora da licitação praticando o piso da federação, o pior no setor. Em Bauru nós temos uma situação melhor e não vamos permitir que esse piso seja aplicado aqui. Nós vamos lutar até as últimas consequências para que a Uematsu respeite essa questão, disse.
Conforme o sindicalista, a ECCB paga R$ 710,00 para um motorista e R$ 497,00 para o cobrador, além de R$ 80,00 em tiquete e mais 5% de acréscimo no salário a cada cinco anos de trabalho. A TUA e a Kuba pagam R$ 710,00 para o motorista e R$ 456,00 para o cobrador, sem outras vantagens. Já a Uematsu apresentou o piso da federação do setor, sendo R$ 449,00 para motorista e R$ 302,00 para um cobrador. Este piso é vergonhoso e pior é o da Vale do Sol, ligada à Uematsu, em Botucatu. Lá o motorista ganha R$ 449,00 e o cobrador R$ 220,00, comentou.