Geral

Visita a cemitérios é restrita a Finados

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Homenagens póstumas estão caindo em desuso e, gradativamente, se restringindo apenas ao dia 2 de novembro

O bauruense já não freqüenta os cemitérios da cidade para visitar seus familiares e amigos mortos como antigamente. O número de pessoas que vão aos cemitérios tem diminuído com o passar dos anos. A exceção fica por conta do dia 2 de novembro, Dia de Finados.

Segundo agentes administrativos dos cemitérios municipais, o número de visitantes assíduos vem caindo há alguns anos, deixando nítido o fato de que as homenagens póstumas estão se restringindo à data reservada à memória dos mortos. Fora da temporada, que inclui vésperas e dias seguintes a Finados, a freqüência está em franca decadência.

A previsão da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) é que cerca de 85 mil pessoas visitem os cinco cemitérios sob sua administração - Saudade, Redentor, Cristo Rei e São Benedito em Bauru e o do distrito de Tibiriçá - neste Finados. Em 1999, os visitantes somaram quase 80 mil e no ano passado o público chegou a 82 mil visitantes. Bauru também conta com um cemitério particular, o do Jardim do Ypê.

De acordo com o monsenhor Almir Cogiola, pároco da Igreja de Santa Rita, os católicos são os que mais preservam o costume de visitar os túmulos de seus entes queridos no Dia de Finados, participando em massa das missas celebradas nos cemitérios. Para o católico, é um rito quase sacramental, salientou.

Para o agente administrativo do Cemitério da Saudade, André Luís Delgado Xavier, o número de visitantes distribuídos durante o ano todo era bem maior há 20 anos, comparado aos dias atuais. Vinham muitas famílias por dia para cuidar dos túmulos. Hoje, vêm bem menos. O pessoal não está preocupado, acredita.

Devido à falta de visitas, alguns túmulos estariam abandonados. Nesses casos, de acordo com Xavier, a administração do cemitério localiza a família para informá-la sobre a necessidade da manutenção. Mesmo em meio a tanto esquecimento, há ainda quem seja assíduo nas visitas. Tem aqueles que vêm com bastante freqüência, mas sempre são as mesmas pessoas, observou o agente administrativo.

Novos costumes

A redução do número de visitas pode ser explicada, em parte, pelos costumes das novas gerações. É no que acredita Jorge Amadei, empreiteiro do Cemitério da Saudade. Morrem os velhos e os jovens não querem mais saber de cemitérios, não ligam para isso. Os que mais visitam são os idosos, revelou.

José Carlos César Neves, encarregado geral do Cemitério Jardim do Ypê, também garante que os idosos são os responsáveis pela maior parte das visitas realizadas fora de temporada. 70% das pessoas que freqüentam são idosos, estimou.

Durante o ano, as visitações quase sempre concentram-se nos finais de semana, conta Celso Rubens Chermont, agente administrativo do Cemitério do Redentor. Além disso, datas especiais como Dia das Mães e Dia dos Pais costumam reunir uma grande quantidade de pessoas, pois a visita passa a ser a homenagem dos filhos, cônjuges e netos. Esse movimento sazonal, no entanto, em nada se compara ao do Dia de Finados. Apesar da constatação, o agente do Cemitério do Redentor não confere muita importância às homenagens póstumas. Acho que as pessoas têm que fazer em vida, opinou.

Maria Helena Germano Monteiro, apesar de ter parentes próximos enterrados nos cemitérios de Bauru, compartilha da mesma filosofia de Chermont. Temos que fazer pelas pessoas enquanto estão vivas, porque levam uma imagem boa da gente quando se vão, acredita.

Maria Helena não tem o hábito de ir ao cemitério. Não acende velas em memória dos mortos e nem reza por eles. Ela conta que, atualmente, todos os integrantes de sua família têm o mesmo costume, mas destaca que as pessoas de gerações passadas visitavam com mais assiduidade os túmulos dos que já se foram. Meus pais tinham esse costume. Acho que, aos poucos, as pessoas se conscientizam que depois que morrer, morreu, simplificou.

Comentários

Comentários