O formato e tamanho das orelhas influencia diretamente o visual do rosto de uma pessoa. Quem tem orelhas pequenas, provavelmente nunca se preocupou com isso, mas quem, ao contrário, possui orelhas grandes ou em abano, sabe como é difícil lidar com as orelhas na hora de se produzir para que elas não comprometam a produção. Além disso, ainda existem pessoas que sofrem com inflamações provocadas por brincos e piercings. Enfim, não é fácil viver em paz com as orelhas. Felizmente, para todos esses incômodos existe solução
Disfarçar é a palavra de ordem para quem se sente incomodada pelas orelhas grandes ou em abano. E a melhor maneira de fazer isso é com os cabelos, obviamente. Normalmente, as mulheres que não gostam das orelhas deixam os cabelos crescerem bastante para que elas possam ficar encobertas. É um método eficiente, principalmente se o cabelo for ondulado ou ficar bem armado. Quando são lisos demais e a orelha é muito grande, o disfarce também dá certo mas o risco de uma pontinha da orelha aparecer para fora, em meio aos fios, é maior. De acordo com a cabeleireira Mara Lúcia Gimenez, deixar os cabelos longos é realmente a melhor maneira de esconder as orelhas, por isso os cortes curtos são perigosos para quem tem orelhas proeminentes. Se o curte deixar as laterais volumosas, tudo bem, a orelha pode ficar escondida, mas se for muito curtinho, pode ficar feio porque a pessoa vai parecer ainda mais orelhuda do que é, diz.
Outro problema, segundo a cabeleireira, é o hábito que algumas mulheres possuem de colocar o cabelo atrás das orelhas com as mãos, como se elas servissem para segurar os fios. Isso ressalta o tamanho da orelha, além de ficar muito feio, afirma. Para as que não têm orelha em abano, Gimenez recomenda o uso de presilhas ou uma tiara para prender os cabelos, qualquer coisa, menos colocar os cabelos atrás das orelhas.
Cirurgia
A solução para resolver o problema das orelhas em abano é a otoplastia estética, uma cirurgia realizada na parte de trás da orelha que a aproxima do crânio acabando com o efeito Dumbo, sem diminuir o seu tamanho. O ideal é que essa correção seja feita o quanto antes, ainda na infância, entre os cinco e sete anos, mas nada impede que ela seja realizada mais tarde.
A fase de preparação para a cirurgia inclui um jejum de, aproximadamente 10 horas antes da operação. Os cabelos devem ser lavados no dia anterior e se forem compridos não precisam ser cortados, pois ajudarão a esconder os curativos nos primeiros dias. A cirurgia em si, é simples e pode durar, em média, de 90 a 120 minutos, incluindo o período de preparação anestésica e de recuperação pós-operatória. A anestesia em adultos é local (com ou sem sedação).
A otoplastia remodela a cartilagem, dando contorno normais às orelhas, deixando-as mais próximas da cabeça. O pós-operatório costuma ser tranqüilo e os pontos podem ser retirados em oito dias. O curativo, normalmente é pequeno e serve para evitar que ocorram traumatismos locais durante a recuperação. A cicatriz nesse tipo de cirurgia é praticamente invisível, por localizar-se atrás da orelha e também porque a pela dessa região é muito fina. O pós-operatório requer que se evite sol, friagem e traumatismos locais por, pelo menos, 10 dias. A pessoa operada pode voltar às atividades normais em 5 dias.
O resultado é 100% atingido depois de duas semanas da operação e o risco da orelha voltar à posição anterior é nulo se a cirurgia for conduzida corretamente.
Brincos e alergias
O uso de brincos e piercings, às vezes, acaba gerando problemas nas orelhas. Os casos mais comuns são os de inflamação causada por contato com sulfato de cobre ou sulfato de níquel que são usados nas composições de algumas jóias e bijuterias. Dependendo da pessoa, outros metais também causam reações. Segundo o dermatologista Wágner Monteiro Cardoso, esses objetos provocam uma dermatite de contato, cujo sintoma é a irritação e a vermelhidão. Normalmente quando não tratada de imediato, a irritação pode progredir e se tornar uma infecção, a orelha fica mais vermelha, quente e com acúmulo de pus, que precisa ser drenado.
O ideal para evitar esses incômodos é não usar brincos feitos dos metais que irrritam. O ouro é a melhor opção, mas Cardoso lembra que cerca de 5% da população possui alergia a ouro também. É preciso observar o fecho do brinco porque muitas vezes ele é que causa a irritação por ser feito de alguma liga de metal, diz. O tratamento para esse caso, em geral, inclui o uso anti-alérgicos no local (com corticóides) e por via oral e de antibióticos no caso de infecção. A pessoa deve deixar de usar brincos até que a orelha esteja curada. No caso dos piercings, os riscos são os mesmos que o dos brincos.
O dermatologista aponta, porém, que não são só os brincos que causam problemas nas orelhas. Muitas mulheres que usam esmalte a coçam atrás da orelha podem desenvolver uma alergia no local, afirma. O problema é uma substância usada na composição do esmalte chamada eosina que pode causar irritação na pele. A solução nesse caso é trocar o esmalte por um produto anti-alérgico.
Cardoso ainda alerta para outros dois problemas que comprometem as orelhas: a dermatite seborreica, que se caracteriza por um acúmulo seborreico (semelhante ao que acontece no couro cabeludo), dentro do conduto auditivo e que pode ser tratada com corticóides; e a micose do meato acústico externo, geralmente causada por umidade e que deve ser tratada com anti-micóticos. O último caso também requer o acompanhamento de um especialista em otorrinolaringologia.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - www.cirurgiaplastica.org.br