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Esteróide anabólico pode levar à morte

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Uso de anabólicos está se tornando problema de saúde pública no País, segundo especialistas, segundo especialistas

O doping no esporte foi um dos temas abordados durante a I Jornada de Medicina do Esporte de Bauru, realizada no último final de semana na Associação Paulista de Medicina (APM), regional Bauru. O palestrante sobre o assunto foi o vice-presidente da Sociedade Paulista de Medicina do Esporte, Marco Michelucci.

De acordo com o médico, o uso das drogas está se tornando um problema de saúde pública. Há casos restritos na medicina que há indicação de uso de esteróide anabólico. No entanto, sabemos que é comercializado, hoje, 500 mil vezes a mais do que a indicação médica, que é muito pouca. Além do mais, tem o mercado negro, disse.

Michelucci contou que há três anos socorreu um atleta que faleceu e na investigação foi descoberto que ele era usuário de esteróide. A partir desse caso, começamos a monitorar e só naquele ano, em uma cidade, ocorreram quatro óbitos. No mês passado, foram correlacionados 49 óbitos fetais por uso de drogas na Grande São Paulo. Tem gente morrendo pelo uso do esteróide anabólico, afirmou.

O médico explicou que, antes de levar à morte, o esteróide anabólico causa uma série de problemas, tanto no homem quanto na mulher. Esses problemas são inevitáveis. Não há nada que possa ser feito para evitar esses problemas. Quando a pessoa começa a usar a droga, ela se torna dependente e pode ser que na primeira semana já tenha algum problema, explicou.

De acordo com Michelucci, é freqüente a ocorrência de óbitos por esteróide. O grande problema nosso tem sido na investigação do serviço de verificação de óbito. Eles não pensam nessa hipótese e, portanto, não é investigado no óbito, a presença de esteróide anabólico, então é necessário fazer uma mudança de legislação, disse.

Doping não é restrito a competição

De acordo com Michelucci em pessoas que nunca vão competir na vida. Essas pessoas estariam preocupadas apenas com a estética. Esses casos causam dependência química também, como a cocaína ou a heroína, e, apesar de não existir dados no Brasil sobre o assunto, há psicoses que são induzidas pelo uso dos esteróides anabólicos, afirmou.

O médico disse que é preciso discutir mais sobre o uso dessas drogas. A palavra chave para combater isso é educação. É preciso atuar na esfera familiar, nas escolas e nas universidades o tema também deveria ser abordado, então tudo está ligado a educação. Precisamos formar multiplicadores para a prevenção de drogas, disse.

Há alternativas seguras e saudáveis, de acordo com Michelucci, para se obter excelente desempenho sem precisar usar drogas. Basta a pessoa fazer um bom planejamento de treinamento, com uma boa dieta, horário de sono, períodos de descanso. É preciso saber também que o trabalho é gradativo, não é imediato. Leva um pouco mais de tempo, mas é saudável e definitivo. Já a droga dá resultado em curtíssimo tempo, mas leva à dependência e, algumas vezes, ao óbito, disse.

Os professores de educação física, de acordo com o médico, desconhecem o tema. Eles sabem muito como formar o ciclo, que droga usar para se conseguir o resultado desejado, mas não sabem sobre os efeitos colaterais que isso causa, afirmou.

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