Representantes de sindicatos de trabalhadores, de entidades estudantis e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) se reuniram ontem para discutir e organizar a Semana da Reforma Agrária, da Consciência Negra e da Mulher Trabalhadora. O evento deverá ser realizado no final de novembro.
Segundo Lúcia de Fátima Costa, representante do MST, a semana está sendo articulada pelo Fórum Permanente de Luta pela Reforma Agrária, organizado em Bauru desde maio passado. Ela explicou que várias atividades em relação à questão da reforma agrária já foram desenvolvidas na cidade.
A intenção é ampliar o debate com a comunidade. Nós pretendemos organizar debates nas escolas, nas universidades, nos bairros para discutir a reforma agrária. Lúcia disse que a semana vai servir, também, para denunciar o atraso nas desapropriações das terras.
Nós temos na região de Iaras mais de 150 mil hectares de terra que já são passíveis de desapropriação para a questão da reforma agrária. Mais de 500 famílias estão nessas terras e já deveriam ter sido assentadas, mas o governo quer despejá-las, criticou.
Além da reforma agrária, o evento também vai discutir a consciência negra e os direitos da mulher trabalhadora. O presidente do Sindicato dos Ferroviários da Novoeste S/A, Roque Ferreira, disse que, para o negro, a questão da reforma agrária é uma luta presente.
Os negros foram os mais despossuídos desse País. Após o fim da escravatura oficial, os negros do Brasil e de outras partes do mundo não tiveram direito de exercer o seu próprio desenvolvimento.
O sindicalista alertou que a maioria das terras dos negros - os quilombos remanescentes - não está sendo demarcada. O Governo Federal tem criado todas as dificuldades para as demarcações. Vamos integrar essa discussão na semana, respeitando todas as iniciativas que os diversos segmentos negros vão realizar em Bauru.
Em relação aos direitos da mulher trabalhadora, a discussão vai girar em torno da manutenção da convenção 103 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), flexibilizada no ano passado. Com isso, a estabilidade de emprego da mulher grávida está ameaçada através de um projeto de lei que já tramita no Congresso Nacional.
Os universitários também estão se mobilizando para a semana. O estudante do curso de Comunicação da Unesp, Rafael Prata, ressaltou a importância da participação da classe universitária nas discussões que vão formar o evento.
Os estudantes têm um compromisso histórico, humano e social com a questão da reforma agrária. Ela é extremamente importante e fundamental para o desenvolvimento do País e tem que ser debatida, avaliou.
Ele diz que a discussão e a elaboração de propostas para a construção de um novo País passam pela questão da reforma agrária. Os estudantes são uma força social, sempre no sentido de estar mudando os rumos da história e resolvendo os problemas do povo brasileiro.