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Corpo é achado enterrado no IPA

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Cadáver, ainda não identificado, estava enterrado na sala usada como oficina pelos reeducandos. Vítima foi degolada.

Um corpo, provavelmente de um reeducando, foi encontrado enterrado, ontem, em uma das salas usadas como oficina no Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru. Como estava em adiantado estado de decomposição, não foi possível fazer a identificação imediata da pessoa morta, o que dependerá do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

Antes do encontro do cadáver, por conta de uma denúncia de que um reeducando tentou agredir um funcionário do presídio, da suspeita da existência de armas, o que foi confirmado na revista feita ontem, a direção do IPA solicitou a transferência de 35 dos 656 internos (leia matéria nesta página). O desaparecimento da pessoa morta não levantou suspeitas na direção do IPA porque, por mês, em média, oito reeducandos abandonam o presídio de regime semi-aberto.

O corpo foi achado degolado, com vários ferimentos, aparentemente causado por arma branca, pelo corpo. Tudo indica que a vítima foi morta numa briga entre colegas de presídio e logo enterrada na oficina. O autor ou autores do crime tomaram o cuidado de refazer o piso da sala, que é de cimento com vermelhão, e ainda colocaram um móvel grande sobre o local, para evitar que fossem levantadas suspeitas.

O cadáver só foi encontrado porque o diretor do IPA, Gilberto de Assis Oliveira, recebeu uma denúncia anônima anteontem à tarde. O denunciante contou o local exato em que o corpo encontrava-se. Ontem pela manhã, quando 577 dos 656 reeducandos da unidade saíam do presídio para passar o feriado de Finados com suas famílias, os funcionários do IPA começaram a cavar no local indicado.

A cerca de 40 centímetros de profundidade, foi encontrado um saco que continha em seu interior a cabeça de uma pessoa. Para tirar o resto do corpo, enterrado de cabeça para baixo, foi preciso cavar mais, cerca de 1,5 metro de profundidade. O corpo estava envolto em cobertor e já em adiantado estágio de decomposição.

Com base no laudo do IML, que deve indicar há quanto tempo a pessoa foi morta, Oliveira vai fazer um levantamento dos reeducandos que abandonaram o IPA para tentar identificar a vítima. O encontro do cadáver foi registrado no 1.º Distrito Policial, que vai instaurar inquérito visando apurar as circunstâncias e a autoria do crime.

O delegado Ronaldo Divino, titular do 1.º DP, solicitou a retirada das impressões digitais da vítima, caso ainda seja possível. Paralelamente, de acordo com o diretor do IPA, será aberta uma sindicância para tentar apurar o crime. Oliveira contou que a sala onde o corpo estava enterrado é usada pelos reeducandos para atividades esportivas, sendo visitada por funcionários, que não perceberam nada de anormal, duas vezes por semana.

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