Geral

Argentina: - Exterior a três horas de vôo -

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

A procura pelas viagens internacionais de longa distância - Europa, Ásia, América - vem caindo depois da elevação da taxa do dólar e dos atentados terroristas. Mas nós, brasileiros, pela proximidade com a Argentina, podemos nos dar ao luxo de programar viagens internacionais a curta distância.

Menos de três horas de vôo nos levam a esse destino, muito menos do tempo de se atravessar esse brasilzão rumo à Amazônia, por exemplo. A choradeira na hora de pagar as contas do restaurante, do hotel, dos passeios, por conta da multiplicação tripla do real nas cédulas verdinhas, não vai tirar o brilho da viagem. É um mundo novo a ser descoberto, com todas as diferenças sócio-histórico-culturais envolvendo nossos "hermanos".

Podemos ter algumas rivalidades com os portenhos, principalmente quando o assunto é futebol, mas é inegável que Buenos Aires é encantadora. Tomar um café demorado lendo as manchetes do dia, curtir a desenvoltura dos bailarinos nas casas de tango, passear pela Recoleta, visitar o Caminito, carregado de cores e sotaques, percorrer a feira de Santelmo ou simplesmente caminhar, olhando as fachadas dos prédios do centro, como Borges fazia antes de ficar cego, já valerá o passeio. Para incentivar o turismo, a Secretaria de Turismo da Argentina vem oferecendo outros roteiros dentro do País, além de Buenos Aires. Uma boa chance para quem quer se inteirar de como vivem os portenhos do interior ou chegar mesmo à Patagônia, com seu cenário branco-azul, formado por aquela imensidão de gelo e lagoas de água transparente.

A TAM Viagens, para facilitar o descobrimento da América do Sul, mais especificamente de Buenos Aires pelos brasileiros, está lançando a promoção "Buenos Aires Regalado". Custa R$ 856,53, valor que pode ser pago em 10 vezes. Compreende passagem aérea ida e volta em vôo regular TAM, duas noites no Hotel Waldorf com café da manhã e taxas incluídas e city tour, além de traslados de chega e saída.

A compra de pacote é o meio mais econômico e seguro para se visitar Buenos Aires. Mas se você quiser se arriscar por conta própria, comprando a passagem e escolhendo um "hostal" baratinho, lembre-se que na capital portenha os motoristas de táxi gostam de levar vantagem. Desembarcando em Eseiza, procure os ônibus de transfer da empresa Manuel Tienda Leão que cobram US$ 14 por cabeça, levando aos hotéis.

Para traçar seu roteiro de passeios, procure mapas e roteiros nos escritórios de informações turísticas do Governo Argentino, que ficam na Calle Santa Fé, 883, e no Centro Cultural San Martín (Calle Sarmiento, 1551, 5º andar). Os quiosques da Calle Florida também dispõem desses folhetos.Depois é caminhar pelas largas avenidas - a 9 de julho já foi a mais larga do mundo - sentar à sombra das imensas árvores dos parques muito bem cuidados da cidade dos bons ares, tomar o metrô para bairros mais distantes cercados de história e cultura, sentir de perto a preocupação dos argentinos com sua instável economia, sair para comer um churrasco de bife de chouriço devidamente acompanhado de jarras de vinho e curtir o som inebriante do tango que chega até a nos arrancar lágrimas de emoção.

São muitas as tanguerias de Buenos Aires. Atualmente a mais concorrida pelos turistas é a Señor Tango. O ingresso que dá direito a um jantar com direito a vinho, cerveja ou champanhe custa US$ 60. Fica na avenida Vievytes,1655. As casas apontadas pelos argentinos como melhores, são o El Querandi (Calle Peru,302) e o Café Homero (Calle Cabrera 4946).

Falando em atração cultural, um bom programa é visitar o Teatro Colón, na Praça Lavalle, com mais de três mil lugares; as inúmeras livrarias freqüentadas pelos intelectuais argentinos, como a tradicional El Ateneo, na Calle Florida 340, e os cafés, que são a vida do portenho. Se encante com o Café Tortoni, fundado em 1858, na avenida de Mayo, 825 onde Carlos Gardel e Jorge Luís Borges parecem estar presentes, buscando entre as mesas e cadeiras suas fontes de inspiração.

Em Buenos Aires, os cafés são uma instituição, um santuário. Há inúmeros espalhados pela cidade onde poetas escreviam seus tangos, escritores realizavam debates literários, políticos inconformavam-se com os "bruxos" do poder. Dizem que o hábito de passar horas e horas nas mesas das cafeterias é herança dos espanhóis, levada à Argentina no final do século XVIII. Em todo quarteirão há uma casa do gênero. Em alguns até mais que um. Embora chamem-se cafés, esses lugares servem para aquele lanche da tarde, o drinque do final do dia ou mesmo a média da madrugada.

Curta sem pressa, espante os demônios, chore amores perdidos, lembre dos amigos de infância, discuta os assuntos do dia estampados nas folhas dos jornais, enfim, sinta-se um verdadeiro argentino como se estivesse analisando o novo pacote econômico anunciado pelo governo.

Porto Madero e as churrascarias

Quando se está no exterior e bate aquela vontade doida de comer um belo bife, recorremos às churrascarias argentinas que oferecem bistecões maravilhosos acompanhados de papas fritas. Estando em Buenos Aires nada mais lógico, portanto, que seguir o rastro dos mistérios da carne, do bife de chouriço.

E o mistério é desvendado sem maiores problemas por toda a cidade. Os restaurantes de Porto Madero, o cais da cidade que está todo remodelado, charmosíssimo, são uma boa.

As antigas docas do Rio da Prata reservam outras surpresas ao visitante, por conta de lojinhas, cafés e lanchonetes. Presenciar o pôr-do-sol no El Mirasol del Puertover é coisa de cartão postal.

Serviço:

A TAM atende pelo telefone 0800-123100. Em Bauru, informações pelo 223-5200 (aeroporto) ou 224-2655 (loja).

Comentários

Comentários