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Petrelluzzi prefere Tasso a José Serra para Presidência

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O secretário de Segurança Pública do Estado, Marco Vinicio Petrelluzzi, cumpriu uma agenda cheia, ontem, em Bauru. Recebido como hóspede oficial do Município, através de decreto entregue pelo prefeito Nilson Costa (PPS), Petrelluzzi demonstrou estar bastante à vontade na visita. Menos à vontade, talvez, ele parece ter ficado quando foi questionado pelo JC se será candidato a deputado federal no próximo ano. Sobre o tema, ele não descarta ser um dia candidato, mas receia em dar qualquer indicação em relação a 2002. O que o secretário não esconde é sua preferência por Tasso Jereissati na escolha do PSDB para a disputa à Presidência da República. Veja alguns trechos da entrevista concedida ontem.

Jornal da Cidade - As cadeias vão mesmo passar para a Secretaria da Administração Penitenciária?Marco Vinicio Petrelluzzi - Está definido. Na medida do possível, todas as cadeias passarão para a Administração Penitenciária. É uma política do Governo do Estado. Nós estamos fazendo primeiro pelas grandes cadeias, aos poucos. Porque a Administração Penitenciária não tem condições de pegar tudo de uma vez, precisa ter estrutura. Além disso, ela quer manter o mesmo padrão e está certo. Isto vai demorar. Estamos com 99 mil presos. Destes 38 mil estão na Secretaria da Segurança. Não dá para assumir de uma hora para outra isso.

JC - A segurança pública é o prato principal dos adversários do PSDB desde já. Como o senhor vê as críticas?Petrelluzzi - Acho que nós, do Governo do Estado, não sabemos fazer propaganda de nossas ações e não fazemos propaganda. Toda a propaganda é quase a institucional. Quando o Maluf fala de recolocar a Rota nas ruas, é uma questão de visão da polícia. Ele tem uma visão distinta. Veja, tem gente que acha que tem que sair matando as pessoas porque existem comportamentos criminosos. Veja, se o cidadão concorda com isso, vote neste candidato. Agora, não venha cobrar isso de mim. Minha política não é essa. Por isso eu sou deste governo. Se você acha que o caminho é começar a matar bandido que resolve, vote no Maluf.

JC - O senhor é candidato a deputado federal?Petrelluzzi - Não sei, tudo é possível. Eu não descarto nada, mas não penso nisso. A minha função é muito técnica e muito difícil. De forma que eu acho que qualquer questão política atrapalha o desenvolvimento das ações na polícia. É lógico que a política me move. Eu sou fundador do PSDB, acompanhei o Mário Covas desde a Prefeitura de São Paulo. Acho que quem faz esta trajetória admite para o seu futuro alguma atividade política. Mas isso não quer dizer que seja agora. Eu tenho nítida consciência da gravidade da posição do secretário da Segurança dentro do secretariado. Esta é uma decisão que não possa tomar assim.

JC - O senhor é Tasso ou José Serra?Petrelluzzi - Eu sou Tasso, evidentemente. Não tenho nada contra o José Serra, acho um bom candidato, tenho admiração por ele, é uma pessoa de competência extraordinária e é palmeirense como eu. Mas, para mim, tenho a indicação do Covas sobre o assunto que é decisiva. Eu convivi muito com o Covas no fim e ele insistia muito que o Tasso era a alternativa viável. Na análise dele, com a qual eu concordo, trata-se inclusive de viabilidade. Viabilidade de manutenção da aliança que mantém o atual governo, que é mais fácil para o Tasso manter do que para o Serra, e na viabilidade de candidatura mesmo. Os dois são muito bons candidatos. Enquanto a decisão estiver no âmbito interno do partido, eu exerço meu direito de opinar. Quando o candidato for escolhido eu vou trabalhar para ele, seja um ou outro. Agora, minha opção é o Tasso. Ele amplia mais o horizonte de articulação e da própria cara do PSDB. Hoje, o candidato que pode manter esta aliança é o Tasso. Mas se o partido entender diferente, eu vou até o fim com o Serra.

JC - O senhor inaugurou uma sede nova para um DP em Bauru. Mas muitos municípios têm apenas um DP e instalações ruins. Faltam delegados, investigadores. Qual sua posição?Petrelluzzi - Eu tenho preocupação. A distribuição de policiais pelo Estado é uma questão complexa, que não envolve só população, envolve área, índices de criminalidade e densidade de povoamento até. É cálculo, é científico. Agora, nesta região, o índice de policiais por habitante é razoável. É uma região que não é densamente povoada. A questão penitenciária nesta região é bem servida. É um xadrez. A polícia aqui está desempenhando bem, está tendo bons índices. Agora, reclamam muito. É um vício do funcionalismo público. Ainda usam a estratégia de pedir R$ 500 mil para um investimento quando o necessário é R$ 200 mil, prevendo que haverá cortes. Mas, com o tempo, eu aprendi a verificar o que é choro, reclamação, ou o que é realidade e pode ser colocado. Precisa discutir, mas essa cultura atrapalha e não se muda isso em pouco tempo. Nós temos condição de monitorar o que é choro e o que é verdade.

JC - O senhor é contra a vinculação de verba na gestão pública, como acontece com a educação, por exemplo?Petrelluzzi - Sou contra qualquer vinculação. Todavia, se tem que ter um percentual garantido para a educação e saúde, eu também quero um percentual definido para a segurança. Mas eu sou contra esta vinculação. O orçamento da Segurança Pública é R$ 4 bilhões e se gasta 90% disso em salário. Então, se as outras áreas têm vinculação, a segurança fica dependendo da oscilação de receita, da política de governo, de outras prioridades. Fica difícil. A vinculação orçamentária é um mal. Ela tira a gestão do governo e é ainda um resquício da ditadura. Porque, quando a ditadura acabou nós achamos que tínhamos que limitar os governos ao máximo. Fizemos uma Constituição com 200 artigos. A vinculação de recursos para a educação é limitação. Se você tem superávit orçamentário, tem que inventar onde gastar na educação e pode estar precisando mais na segurança. Mas não pode usar porque tem um percentual mínimo garantido por lei. O governo fica engessado.

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