A Faculdade de Odontologia da Unesp de Araraquara recebeu uma carta contendo pó branco com suspeita de conter antraz.
Tribuna Impressa/ Especial para o JC
Araraquara - O prédio da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara foi interditado ontem por causa da suspeita da presença da bactéria antraz no local. Este é o terceiro caso suspeito em Araraquara e o sexto na região. O prédio ficará fechado até que o Instituto Adolpho Lutz envie à faculdade a análise do caso. A chance do resultado ser positivo é de apenas 0,01%.
O terceiro caso suspeito de antraz ocorreu anteontem, quando um professor da Faculdade de Odontologia recebeu carta sem remetente e com um carimbo de Bagdá, no Iraque. A ocorrência foi atendida pelo Corpo de Bombeiros (CB), que encaminhou o material para a Direção Regional de Saúde (DIR-VII) de Araraquara.
Segundo o tenente Cássio Augusto Amaral, o CB foi chamado, às 18h10 de quarta-feira, para verificar um envelope vindo do Iraque, com pó branco, endereçado para um professor e dentista do curso de Odontologia, que terá identificação preservada. No 3º andar do prédio, onde a carta foi aberta, havia 14 pessoas e todas foram encaminhadas para avaliação médica no Pronto-Socorro (PS) da Vila Xavier
A diretora da técnica da DIR-VII, Julieta Esther Amaral, avalia que há 99,9% de chances de o pó encontrado na carta não conter a bactéria antraz. Ela usa como parâmetro de comparação os aproximadamente 650 casos suspeitos avaliados pelo Adolpho Lutz em todo o Estado, desde que a bactéria foi encontrada nos Estados Unidos, em setembro. Todos os resultados foram negativos.
Julieta Esther explica que o professor da Unesp, que recebeu a carta, freqüentemente participa de congressos, cursos e palestras internacionais, por isso recebe correspondências do Exterior. Segundo ela, no final da tarde de anteontem, quando ele abriu uma das muitas correspondências que recebeu, constatou que era um convite para uma palestra, que não tinha nada a ver com sua área de atuação e, ao checar o remetente, só havia um carimbo escrito Bagdá.
Como o professor estava em um laboratório, numa bancada onde há manuseio constante de luvas e também tinha talco, não sabemos se o pó caiu da carta ou se já estava na bancada.
A diretora explica que a Faculdade foi interditada por precaução e porque coincidiu com uma véspera de feriado, quando há um fluxo menor de alunos. O prédio ficará interditado até que saia o resultado, provavelmente na segunda-feira, comenta.
De acordo com Julieta Esther, a DIR-VII já encaminhou seis cartas suspeitas ao Adolpho Lutz, três delas recebidas em Araraquara, duas em São Carlos e uma em Matão. Deste total, quatro tiveram resultados negativos. Ela ressalta que a população deve ficar tranqüila e que as possibilidades da bactéria no Brasil são remotas.