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85% das empresas investem no 3º setor

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Empresas lançam mão da criatividade e investem em ações sociais, que fixam seu nome como "politicamente correto"

O ano é do voluntariado, mas não é de hoje que as empresas estão voltando sua atuação para projetos sociais. Uma pesquisa realizada em outubro do ano passado, pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), com o apoio do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), regional Bauru, revelou que 85,3% das indústrias da região realizam algum tipo de investimento social. Entre as micro e pequenas empresas, esse montante é de 75% e 78,5%, respectivamente. A pesquisa abrangeu um universo de 154 companhias de Bauru e região.

Por trás de todo esse empenho em desenvolver programas de ajuda à comunidade não existe apenas a boa ação dos empresários. O retorno junto aos consumidores é extremamente positivo.

De acordo com o diretor de artes da DPZ - uma das maiores agências de publicidade do País -, Flávio Henrique Botto Vianna, na era globalizada o que diferencia uma empresa da outra é a percepção dos consumidores. As pessoas sempre vão privilegiar produtos de companhias que se importam com o social, disse em entrevista ao Jornal da Cidade. Vianna veio a Bauru na última segunda-feira participar de um evento da Sociedade de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab).

Ele explicou que as empresas que investem na área social conseguem dois tipos de benefício: o primeiro é a melhora da qualidade de vida da população o que, de uma forma ou de outra, ajuda no aumento do número de consumidores; o segundo é o retorno de marketing para a própria empresa. Quando participa de um programa de assistência ou promove alguma ação social, a companhia fixa sua marca no mercado. A imagem positiva que constrói é um atrativo a mais na hora da comercialização. Uma pesquisa divulgada recentemente mostra que 83% da população consideram importante a contribuição social, ressaltou Vianna.

Como ajudar

Vianna lembrou que a doação geralmente é o primeiro passo adotado pelas empresas como forma de contribuição. Em seguida, vem a criação de seus próprios programas voluntários. Muitas empresas incentivam, inclusive, a participação de seus funcionários nas campanhas.

É o caso da Disbauto Distribuidora Ford. Há dois anos, a empresa, que tem sede em Bauru, além de outras quatro filiais, começou a desenvolver programas sociais. Começamos com o programa Voluntários Graças a Deus. Foi uma forma de incentivarmos os funcionários a se envolverem com as causas sociais, disse Daniel Garcia Alonso, diretor da revendedora de veículos.

Esse projeto era composto de três fases: a primeira chamada Acalanto, na qual todos os funcionários da empresa ganharam um dia de folga para atuar no Cevac. A falta era abonada com o certificado de voluntário que a pessoa recebia, explicou Alonso. A idéia era fazer o funcionário se dedicar durante todo um dia às atividades da entidade social. O empresário ainda estimulava o trabalhador a levar algum membro da sua família para prestar serviço voluntário junto com ele.

A segunda etapa do projeto era denominada Mão na Massa. Um mutirão de cerca de 30 pessoas, todos funcionários da Disbauto, realizou serviços de recuperação na entidade, como pintura, colocação de vidros, jardinagem, etc. Essa segunda etapa ainda realizamos até hoje. Quando o pessoal do Cevac precisa de uma manutenção na estrutura da casa, nós vamos lá e fazemos, salientou Alonso.

O material para o trabalho foi arrecadado junto à lojas de material de construção da cidade.

A última fase do projeto era a Faça a sua Parte, que nada mais é do que a divulgação da ação para outras empresas, como forma de incentivá-las a fazer o mesmo.

A Disbauto tem participado de diversos outros projetos, como o Viva a Vida, que promove a integração das pessoas à sociedade.

Com esse tipo de ação, a revendedora recebeu diversos prêmios, estaduais e até nacionais.

Mas, o maior retorno está mesmo no fortalecimento de sua imagem junto aos consumidores. Pesquisas apontaram nossa empresa como a que tem a melhor imagem entre todas do mesmo ramo em Bauru, explicou.

Outro empresário bauruense que comprovou a boa receptividade dos investimentos no terceiro setor foi Jad Zogheib. Diretor-presidente da Rede Confiança de Supermercados, ele contou que o envolvimento com ações sociais não é de hoje. Já faz mais de uma década que a gente se dedica à comunidade, salientou.

Para ele, as ações sociais trazem como retorno a satisfação de estar agindo em prol da comunidade e a fixação de sua marca no setor.

Entre os projetos da empresa estão o Natal Fraternal, no qual são doadas quantias em dinheiro ou produtos para entidades assistenciais, e as doações em remédios para postos de saúde. Assim a gente retribuiu o carinho que recebemos da comunidade, disse.

Investindo no nome

Para o publicitário Flávio Vianna, o investimento no terceiro setor é uma das melhores propagandas que uma empresa pode fazer de si mesma. Tem companhias que gastam milhões de reais para consolidar sua marca no mercado, mas acabam perdendo para um concorrente que investe bem menos, mas está sempre presente em programas sociais, disse.

Ele acredita que, se uma empresa faz uma ação em seu bairro ou em sua cidade, a sua marca ficará gravada na memória das pessoas. O consumidor vai lembrar disso na hora da escolha, enfatizou.

De acordo com a pesquisa feita pela ITE, o investimento mais significativo na região tem sido a doação. Apenas 10,34% das empresas desenvolvem projetos sociais, contra 79,31% que preferem contribuir com uma parcela em dinheiro ou outro tipo de benefício.

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