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Alta da cesta básica chega a 3,56%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Se comparado com outubro de 2000, quando atingiu R$ 134,66, o valor da cesta em Bauru teve um aumento de 7,3%

O preço mínimo da cesta básica em Bauru chegou a R$ 144,62, em outubro, o que significa uma alta acumulada de 12,52% sobre o valor de dezembro de 2000, que foi de R$ 128,53, ou seja, mais de 6% do que os cerca de 6% de inflação medida pelo Índice de Preços aos Consumidor (IPC), no mesmo período, de acordo com pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), para o Data-ITE, que detectou os reajustes.

Em outubro, a cesta apresentou uma alta de 3,56% sobre os R$ 139,65 de setembro. Reinaldo César Cafeo, um dos coordenadores da pesquisa, destaca que houve repasse de aumentos de custos da empresas, a baixa oferta de alguns produtos e a alta do dólar, o que colaborou para a alta. Além disso, a redução da forte concorrência na Zona Sul é outro fator que impulsionou os preços.

Se comparado com outubro de 2000, quando atingiu R$ 134,66, o valor da cesta básica em Bauru teve um aumento de 7,3%.

Para Cafeo, que também é delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon), a perspectiva de que a cesta básica feche o ano com reajuste acima da inflação se reforçou. De acordo com ele, ainda não é possível projetar qual será o índice.

De acordo com a pesquisa, realizada em dez supermercados de Bauru, coordenada pelos professores Jacques Vervier e Cafeo, em setembro, o grupo alimentação consumiu R$ 106,58 do total. Esse valor é 3,69%% maior do que o mês de setembro (R$ 102,79). O arroz, que tem peso de 9,65% sobre o total da cesta básica, teve alta de 16,54% no mês passado. Isso se deu pela falta de oferta do produto no mercado. O consumidor efetivamente sentiu o peso do reajuste praticado pelos supermercadistas. Isoladamente o Arroz contribuiu com 1,6% do aumento total da cesta (3,56%). O alho também apresentou forte alta: 106,56% no mês. Apesar do alho ter peso baixo no valor total da cesta (dada sua importância relativa no total da cesta), dada a dimensão da alta, acabou auxiliando o aumento verificado no mês. No sentido inverso, ou seja, com queda de preços tivemos o açúcar, com redução de 16,9% e a cebola com queda de 23,47%, destacou.

O grupo limpeza doméstica, representou um total de R$ 21,28. Esse valor é 0,43% menor do que o mês de setembro de 2001 (R$ 21,37). Para Cafeo, essa queda pode ser creditada a uma acomodação dos preços. No mês de setembro, os preços médios subiram 6,85%, portanto um valor significativo. Esse grupo pesa 14,7% no total da cesta. As principais quedas foram no detergente (32,04%), no sabão em pó (20,35%) e água sanitária (13,28%).

Já o grupo higiene pessoal, equivalente a R$16,77, representou um índice 8,27% maior que o do mês de setembro de 2001 (R$ 15,49). De acordo com Cafeo e Vervier, por utilizar muitos componentes importados ou com cotação de preços internacional, a variação cambial foi repassada aos itens que compõem esse grupo. O creme dental foi o destaque com alta de 19,88%

A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.

Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças expressivas. Por exemplo, o preço do feijão teve variação de 143,2% entre o menor e o maior preço encontrados nos supermercados pesquisados. No caso do frango resfriado, a variação foi de 137%, enquanto na água sanitária encontrou-se diferenças de até 105,6% e no absorvente higiênico de até 103,1%.

O valor base adotado é o da segunda semana do mês, no caso de outubro, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese). A cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para quatro pessoas.

A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.

O valor mínimo total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.

Sul tem o maior preço por regiões

Por regiões, a pesquisa do Data-ITE verificou que a Zona Sul apresenta o maior valor para a cesta básica, com R$ 192,04, que significa 32,8% mais do que o valor mínimo de R$ 144,62. O menor valor está na Região Oeste, com R$ 166,22, numa diferença de apenas 14,9% sobre o preço mínimo (veja gráfico).

Em relação ao menor preço, o valor encontrado no Centro da cidade R$ 170,09 - é 17,6% maior. A Região Norte teve o terceiro maior preço em relação ao mínimo, com R$ 176,32 (21,9%). O segundo valor mais alto por região vem da Zona Leste, onde chega a R$ 178,20, ou seja, 23,2% maior que o menor preço.

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