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Polícia estuda influência da mídia

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A influência dos veículos de comunicação no mundo do crime foi motivo de estudo do delegado geral de Polícia de SP

Comerciais e programas de rádio e televisão e reportagens de jornais exercem grande influência nos criminosos. A constatação é do delegado geral de Polícia, do Estado de São Paulo, Marco Antonio Desgualdo, que na última quinta-feira participou de uma reunião da Secretaria de Estado da Segurança Pública em Bauru para avaliação de suas atividades na cidade e em municípios da região.

Ele diz que a polícia estuda cada vez mais a participação da mídia na formação das mentes criminosas e sua colaboração no sentido inverso, ou seja, a diminuição nos índices de criminalidade. Através de estudos de perfilamento psicológico feito com assassinos, verificou-se a influência dos veículos de comunicação em geral no desfecho de muitos casos trágicos registrados no mundo do crime. Segundo Desgualdo, os comerciais de televisão são fatores que acabam levando marginais à prática de crimes violentos, geralmente provocados pela revolta de pertencer a uma classe social mais baixa.

Constatamos que em muitos casos essas pessoas despertavam vontade de adquirir alguma coisa que jamais conseguiriam. E em alguém despreparado, que não tenha uma personalidade forte, com desvios de conduta, fica mais fácil surgir esse fator desencadeante, explica. O delegado citou como exemplo um caso de assassinatos em série registrado em São Paulo, com todas as vítimas pertencentes a classe média alta.

E descobrimos que eram determinados indivíduos que praticavam esses crimes. Quando entrevistados, o principal líder disse: Bacana tem que morrer. Percebemos aí a influência de determinados comerciais e filmes que impulsionaram esses crimes. Para Desgualdo, os criminosos despertaram rancor em relação aos que eles taxaram de mais privilegiados, os bacanas. Eles também assaltavam os que não eram bacanas e não os matavam. Os comerciais de televisão podem despertar uma situação de ambição, alimentar uma paixão no sentido de querer alguma coisa e não poder realizar.

Mas o delegado destaca que da mesma forma que a mídia muitas vezes colabora para a prática de crimes violentos, ela também atua no sentido inverso. A imprensa descobriu que a polícia não pode estar sozinha no combate ao crime e despertou a união da sociedade, divulgando a idéia de integração entre a comunidade e a polícia.

Para o delegado, o exemplo de Bauru mostra o lado positivo da mídia no combate ao crime. A aproximação dos segmentos vivos da sociedade com a polícia fez com que os índices de criminalidade diminuíssem.

O delegado geral de Polícia observou o nível de integração entre o Conselho de Segurança (Conseg), a Prefeitura, o Estado, a imprensa e a Assembléia Legislativa. É todo um contexto onde as coisas vão bem.

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