Apesar de ter o pedido negado pelo juiz da Infância e Juventude, delegado da DIG/Jaú diz que decisão será respeitada
Jaú - O delegado Edmilson Marcos Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, lamentou a decisão do juiz da Infância e Juventude, Luís Flávio Pinheiro, que negou o pedido de internação provisória de três suspeitos de terem assassinado um policial militar, em setembro de 1999.
Segundo o delegado, com os suspeitos em liberdade, o trabalho de investigação pode ser prejudicado. Eu acho importante a internação (dos suspeitos) para o prosseguimento das investigações. Resta ainda localizar a arma (que foi roubada do policial), fazer acareações e uma série de diligências.
O delegado diz que teme pela coação de testemunhas, porque, segundo ele, os suspeitos seriam elementos de alta periculosidade. Entretanto, Bataier ressaltou que decisão judicial não cabe discutir, mas acatar e respeitar.
Eu acredito que a liberdade deles pode atrapalhar, mas não vai impedir nosso trabalho, afirmou o delegado.
Bataier declarou que, desde o começo das investigações, as suspeitas sobre o assassinato do policial Amadeu Galo Júnior sempre recaíram sobre C.A.R. 19 anos, A.R.P.S., 18 anos, e F.A.C.V., 18 anos. Todos eram menores de idade em 99.
O delegado lembra que, na época dos fatos, os três teriam ficado conhecidos depois de praticarem vários assaltos na cidade. O crime contra o policial está sendo qualificado como latrocínio (roubo seguido de morte).
C.A.R., suspeito de ter efetuado o disparo que matou Galo Júnior, teria sido sempre evasivo em seus depoimentos, segundo o delegado. Ele tentava incriminar terceiros, disse. N.O., morador no bairro Ferradura Mirim, em Bauru, teria sido uma das pessoas acusadas por C.A.R. como sendo o autor do latrocínio. Ele teria feito a descrição da arma do policial morto, com detalhes, de acordo com o delegado.
Nós chegamos até a família do N.O., em Bauru, e descobrimos que ele havia morrido alguns dias antes do assassinato do policial. Essa contradição teria deixado a polícia de Jaú ainda mais convencida de que C.A.R. havia participado do latrocínio.
Ficou claro que o suspeito havia visualizado a arma, que não é um modelo comum. A partir da contradição, nós passamos a investigá-lo e (há duas semanas) ele acabou confessando que participou do assalto, juntamente com os outros dois, declarou Bataier.
Um dos suspeitos, F.A.C.V., está recolhido na cadeia pública de Jaú. Ele é acusado por assalto, segundo o delegado. F.A.C.V também confessou ter participado da morte do policial. A confissão foi feita perante o juiz Pinheiro, na última terça-feira.
Após as confissões dos suspeitos, Bataier disse que solicitou a internação provisória de C.A.R. e A.R.P.S., que estão em liberdade. O pedido foi encaminhado ao juiz da Infância e Juventude, Luís Flávio Pinheiro, por intermédio do promotor Alexandre Barbieri Júnior. Ele disse ter se baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente para solicitar a internação provisória. Mas o pedido foi negado pelo juiz.
Diante da decisão judicial, Barbieri Júnior declarou que vai analisar com calma a decisão e é bem provável que acabe recorrendo ao Tribunal de Justiça, em São Paulo.
O juiz Luís Flávio Pinheiro disse, por intermédio de uma funcionária do Fórum de Jaú, que não iria comentar sua decisão. Ele ainda continua analisando o caso.
O caso
O policial Amadeu Galo Júnior foi assassinado em 10 de setembro de 1999, por volta das 18h45, numa estrada vicinal, próxima ao recinto de exposição da Expo-Jaú. Na ocasião, lembra Bataier, foi levada a carteira e a pistola (modelo Inbel, calibre 380) que estavam com o policial.
Apesar de estar fardado, quando foi assassinado, Galo Júnior não estava em serviço, segundo o delegado.
Polícia faz reconstituição do crime
Jaú - Com o intuito de esclarecer as dúvidas que teriam restado das investigações do assassinato do policial militar Amadeu Galo Júnior, a Polícia Civil de Jaú realizou na última sexta-feira a reconstituição do crime.
Durante quase 30 minutos, F.A.C.V., 18 anos, deu detalhes do que teria acontecido na noite de 10 de setembro de 1999, quando o policial foi morto.
F.A.C.V confessou, em juízo, na última terça-feira, ter participado do latrocínio. Ele está preso, atualmente, na cadeia pública de Jaú, sob acusação de assalto.
O local onde aconteceu o crime fica cerca de 100 metros da vicinal que liga Jaú ao distrito de Potunduva e cerca de 300 metros do recinto de exposição da Expo-Jaú. É uma estrada de terra, cercada por plantações de cana-de-açúcar e sem iluminação.
Quando o soldado foi morto já era noite, segundo informações do delegado Edmilson Marcos Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú. Os acusados seriam todos moradores do bairro Padre Augusto Sani, que fica cerca de 500 metros do local do crime.
Durante a reconstituição, F.A.C.V revelou que as armas que estavam com ele e com C.A.R., 19 anos (outro acusado), foram engatilhadas quando eles estavam a cerca de sete metros do veículo, ocupado pelo policial e por A.F., uma mulher que o acompanhava. Segundo declarações dessa mulher à polícia, eles estavam comendo um lanche, dentro do carro.
Uma terceira pessoa, A.R.P.S., 18 anos, teria ficado à distância, apenas observando alguma movimentação suspeita no local.
Segundo F.A.C.V, C.A.R. teria batido com o revólver no vidro do carro. O policial teria feito um movimento como se fosse pegar uma arma e nesse momento teria sido atingido por cinco disparos. Quatro deles, segundo o acusado, saíram da arma (um revólver calibre 38) de C.A.R e o outro tiro teria sido disparado por ele próprio, com uma garrucha de pequeno calibre.
Os tiros de C.A.R. atingiram a cabeça e o ombro do policial e a perna da mulher. O tiro dado por F.A.C.V atingiu a barriga de Galo Júnior. Da vítima foram levadas a carteira e uma pistola, modelo Inbel, calibre 380.
A Polícia Técnica de Jaú também esteve presente na reconstituição do crime.
Internação provisória
Diante da confissão de F.A.C.V e com base nos resultados alcançados até agora pelas investigações, o delegado Bataier pediu a internação provisória dos acusados, que eram menores de idade na época do crime. O pedido foi negado pelo juiz da Infância e Juventude Luís Flávio Pinheiro.
Durante uma audiência realizada na última terça-feira, F.A.C.V confessou sua participação na morte do policial. Isso teria dificultado o trabalho do advogado Fabrício Fausto Biondi, nomeado pela Procuradoria Geral do Estado para defender o acusado.
Preciso estudar melhor o caso. Ainda não li o inquérito. Mas tudo ficou muito difícil depois que ele (F.A.C.V) confessou (ter participado do crime), admite o advogado.
Para Biondi, algumas peças do crime não estão se encaixando. Ele tem uma série de indagações. Mas o fato de seu cliente ter confessado e dado detalhes do acontecimento, teria dificultado bastante sua tarefa.