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Sesc tem espetáculo de Plínio Marcos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Com canções de João Bosco e Adoniran Barbosa, 'Quando as Máquinas Param' trata da dura realidade dos brasileiros

Os atores Kátia Brito e Manuel Boucinhas apresentam hoje, às 21 horas, no Sesc Bauru, o espetáculo Quando as Máquinas Param - Amor e Desemprego no País do Futebol, do consagrado autor Plínio Marcos.

A peça conta a história de Zé e Nina. Eles têm por volta de 30 anos e se amam. Zé gosta muito de futebol, joga pelada com a garotada da rua e é torcedor fanático. Nina adora novelas e chega às lágrimas de tão emocionada. Juntos, já conseguiram algumas vitórias: casaram, alugaram uma casa, pensam em ter filhos. Formam um casal feliz.

Quando as Máquinas Param, a única peça de Plínio Marcos que apresenta uma história de amor sem marginais nem submundo, fala com poesia, humor e clareza sobre as alegrias e tristezas de um casal vítima da crise econômica.

Zé e Nina são apenas dois, mas representam os milhões de desempregados que existem hoje no Brasil.

A montagem

Esta montagem do espetáculo procura reforçar a identidade brasileira dos personagens para aproximá-los ainda mais da platéia.

Canções de João Bosco, de Cartola e de Adoniran Barbosa fazem parte da vida de Nina e de Zé. Elas tocam no rádio da casa deles, assim como estão na sonoridade dos lares brasileiros. A torcida nos estádios está em suas vidas também, através da paixão de Zé pelo futebol.

E é o som das torcidas que faz o papel que o coro tem nas tragédias gregas: comentar de forma emocionada e emocionante a ação da peça.

Pequenas frases musicais foram especialmente compostas pelo diretor musical do espetáculo. Antonio Carlos Carrasqueira, um dos maiores flautistas da atualidade brasileira, é integrante do Quinteto Villa-Lobos, além de professor de flauta na Universidade de São Paulo.

Cheiros e imagens

A identificação com as casas brasileiras e com o cotidiano do Brasil vai ainda mais longe. Nina faz café em cena e o cheiro se espalha pelo teatro.

O público começa a entrar no teatro passando por um ambiente em que reproduções em grande formato de obras de Rubens Gerchman estão expostas penduradas num varal composto de baldes cheios de cimento, paus de vassoura e arame. São imagens bem coloridas de rostos brasileiros, de ruas brasileiras, de jogadores de futebol bem conhecidos como Romário e Didi, que vão conduzindo o espectador para dentro da realidade cotidiana das cidades brasileiras e também para dentro do teatro.

Serviço

Quando as Máquinas Param, hoje, 21h, no Sesc Bauru. R$ 5,00 e R$ 2,50 (estudantes, matriculados e maiores de 65 anos). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

Saiba um pouco sobre o autor

Quando As Máquinas Param, Navalha na Carne, O Abajur Lilás, Dois Perdidos numa Noite Suja e Barrela. Os nomes de apenas algumas de suas dezenas de peças já inscrevem Plínio Marcos entre os mais importantes autores da história do teatro brasileiro, mais ainda do que os prêmios que ganhou: Saci, Golfinho de Ouro, Molière, Mambembe, Shell e APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), entre muitos outros.

Plínio Marcos cursou apenas o primário, sentindo-se forçado a abandonar a escola por pressão de uma professora que insistia em que ele escrevesse com a mão direita, apesar de ser canhoto. Mas se estudou pouco, trabalhou muito. Foi o palhaço gago Frajola do circo de Santos Teatro Liberdade, camelô, ponta-esquerda da Portuguesa Santista, ator de televisão, teatro e cinema, jornalista, radialista, tarólogo e vendedor de seus próprios livros nas ruas.

Estreou como autor e teatro aos 22 anos, em 1957, com Barrela. Talvez Plínio Marcos tenha sido o primeiro artista a ser chamado de maldito, pela coragem de colocar no palco personagens brasileiros vivendo situações extremas, pelas sucessivas interdições pela censura de suas peças e por nunca ter parado de escrever teatro.

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