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UM COSTUME POR MERO COSTUME!

(*) Hélio Souza
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Qual a razão útil das sepulturas ostentarem, além do nome, a data do nascimento e do óbito da pessoa cujo corpo jaz ali? Não há o que justifique tal prática tão disseminada, que só alimenta a eiva da bisbilhotagem. Como identificação do jazigo para evitar erro de local nos sepultamentos, esse costume continua supérfluo, eis que a administração do cemitério confere antecipadamente a localização devida a cada enterro pelo controle de seus registros, que correspondem à fixação no respectivo túmulo de uma pequena placa numérica, referente a cada inumação.

Uma visita esporádica e sincera saberá localizar determinado sepulcro pelo caminho que fez no dia do enterro. Na dúvida de qualquer outra hipótese, será mais fácil colher informação na administração do local que tem assentamento por setor, rua, quadra e número de cada sepultamento, do que ficar procurando o túmulo pelo nome (que pode constar por consideração) e muito menos por dados pessoais da pessoa falecida.

Que o jazigo seja suntuoso (com a estátua de um anjo abrindo uma porta ou de uma carruagem subindo ao céu) sem óbice é uma reverência que merece respeito. O que não se presta é a ostentação de dados que, além de desnecessário, dão margem a comentários desairosos como por exemplo um proferido em pleno, dia de Finados, ensejado pela data do nascimento constante de uma lápide:- Ah, eu sabia que ela mentia a idade. Que falta de educação e desconsideração à memória póstuma e ao local.

Por mais escusado e até prejudicial que seja um costume, em geral sua supressão ocorre gradativamente, consoante o tempo vá amenizando certos ressentimentos. Há costumes, porém, que se avelhentam, causando verdadeiros transtornos. É oportuno salientar que se contesta a abolição de um costume para, mais tarde, num transporte, se rejeitar seu restabelecimento. Os antigos costumes de se banhar o defunto e o da passagem do féretro pela igreja marcaram época de tradicional cerimônia sagrada e a hipótese de restabelecê-los hoje não teriam boa acolhida, como por certo não terá esta observação. Mas se houvesse vazão de certos usos e costumes, muito dissabor seria evitado e sobraria mais tempo para cuidar da própria vida e menos com a dos outros.

(*) Hélio Souza - OAB -19.779

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