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O DESRESPEITO POR UM FIO

(*) Fabrina Martinez
| Tempo de leitura: 3 min

Parada na fila do banco, vejo como o consumidor brasileiro anda desmoralizado. Às 14h10, quando esta linha saía da caneta, decidi, entre outras coisas, escrever a este espaço questionando o compromisso de certas empresas com o consumidor. No dia 22 de outubro, tentava pela nona vez falar com a Telefonica para cancelar um serviço recém-adquirido - o speedy. Por alguma dessas razões que nenhum técnico explica, o sistema não funcionou e decidi devolvê-lo.

O produto foi adquirido durante uma ligação da empresa, a compra não me tomou mais que 15 minutos, mesmo não sendo a titular da linha. Durante a instalação, que deveria ser em 15 dias, mas ocorreu em dez, fui informada que tinha sete dias úteis para desistir do serviço sem nenhum ônus. Durante esses dias tentei inúmeras vezes efetuar o cancelamento, mas esbarrei numa fila de espera e repertório musical medíocre que evidenciava a imensa consideração desta já mencionada empresa com seus clientes. Após inúmeras ligações frustadas e discussões, fui informada que tinha até as 20h do dia 22/10 para formalizar o cancelamento do serviço sem nenhuma cobrança. Mas o setor de cancelamento estava sobrecarregado e seria praticamente impossível ser atendida naquele dia. Para o meu conforto, a atendente faria um comunicado oficial de urgência comunicando a exoneração do serviço e garantindo meus direitos.

Desde então esperei pela retirada do equipamento, que permanece aqui e inativo. Na conta telefônica recebida dois dias depois, discriminadas todas as despesas que somam o valor de R$58,55 referentes ao aluguel do modem, instalação da central telefônica e o acesso proporcional. Novamente recorri ao 0800 e ao 104, mas fui aconselhada a procurar uma das lojas Telefonica para uma solução mais rápida, já que o atendimento pessoal seria mais eficiente. No local fui gentilmente atendida e encaminhada a um dos três orelhões onde poderia efetuar a ligação que resolveria o impasse. Quarenta e seis minutos e três atendentes depois fui informada que o serviço ainda constava como ativo e que nenhuma das ligações e pedidos caracterizava insatisfação e o comunicado oficial de urgência sequer existia.

Fui redirecionada ao setor de cancelamento, onde fui atendida rapidamente, cerca de 20 minutos, muito ágil se levarmos em consideração as primeiras tentativas e o tempo mínimo de espera, praticamente o dobro. Pela enésima vez questionaram o CIC e o RG do titular da linha, dados completamente desnecessários para a compra, mas vitais para o cancelamento.

Garantiram que a ligação teria um retorno e melhor, uma solução plausível, recebi o número do protocolo do pedido, o último de uma série, 59534128. Espero ansiosamente a resolução dessa questão e de preferência antes do dia 1/12, vencimento da próxima conta. Levando em consideração a via crucis que me foi imposta, não me assombraria chegar em casa e ter o telefone cortado por falta de pagamento. Agora, às 14h39 e com 42 pessoas à minha frente na fila do banco, me indigno quanto à existência e descaso com as leis de proteção ao consumidor. Mas isso é assunto para outro dia de fúria.

(*) Fabrina Martinez de Souza - RG. 30728552-2

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