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Facções criminosas comandariam IPA

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Grupos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando da Libertação (CDL) estariam atuando no presídio

A apreensão de R$ 2,7 mil em notas e moedas com um reeducando que estava retornando ao Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, anteontem à noite, aumenta a suspeita da ação de facções criminosas no presídio de regime semi-aberto. O reeducando disse à polícia que o dinheiro seria para os irmãos do IPA, uma alusão a membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além do PCC, várias fontes do JC disseram ter conhecimento da ação do Comando da Libertação (CDL) no IPA de Bauru. Os dois grupos estariam disputando o comando do presídio. Segundo uma pessoa que trabalha no sistema prisional em Bauru, cujo nome está sendo preservado pelo JC, funcionários do IPA estão acuados, trabalhando com medo dos reeducandos e até seguindo suas ordens.

Os reeducandos, segundo a fonte, não permitem a entrada dos funcionários nos alojamentos e em outras dependências do IPA. A única maneira para transferir reeducandos que cometeram algum delito ou envolveram-se em briga seria convocá-los para uma determinada sala com outro pretexto. Ao contrário, os funcionários estariam sujeitos a serem agredidos pelos reeducandos.

No mês passado, um funcionário do IPA foi ameaçado fisicamente por um reeducando, fato que foi registrado em boletim de ocorrência. No entanto, segundo fontes do JC, as ameaças de agressões a funcionários são freqüentes. Os reeducandos teriam, inclusive, armas de fogo. Há informações de que reeducandos estariam saindo do presídio à noite, cometendo delitos fora, e retornando antes do amanhecer.

Inclusive, segundo informações extra-oficiais, os reeducandos usariam a vasta área do IPA - o presídio tem 650 hectares - para esconder objetos de furto ou roubo. Lá dentro, estariam seguros, uma vez que não teriam o risco de serem reconhecidos pelas vítimas e nem investigados pela polícia.

As facções criminosas, para obter dinheiro, chegariam até a obrigar reeducandos a cometerem assaltos fora do IPA. De acordo com uma das fontes do JC, os reeducandos não-alinhados com as facções criminosas costumam ter roupas e objetos pessoais recebidos de suas famílias, o jumbo, confiscados pelos membros do PCC ou CDL.

Ontem à tarde, o JC não encontrou nenhum diretor do IPA para comentar o assunto. Em entrevista ao JC na semana passada, o diretor do IPA, Gilberto Assis de Oliveira, admitiu a existência de simpatizantes do PCC no presídio e disse que, nos últimos tempos, sabia apenas da tentativa de agressão sofrida por um funcionário, fato que foi registrado em boletim de ocorrência e está sendo apurado também por sindicância interna.

Outro indício de que realmente está havendo disputa no IPA é o corpo encontrado enterrado em uma oficina do presídio, na semana passada. A vítima, ainda não identificada, foi morta com cerca de 25 facadas e degolada antes de ser enterrada. Para o delegado Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial, que está investigando as circunstâncias e a autoria do crime, os vários ferimentos no corpo da vítima denotam crueldade que é típica em crimes de vingança, queima de arquivo ou em briga de facções criminosas.

Pelos ferimentos do corpo da vítima, tudo indica que várias pessoas participaram do crime, segundo o delegado. Ele está ouvindo funcionários e reeducandos sobre o caso e tentando identificar a vítima. Tudo indica que a pessoa morta é um dos reeducandos que abandonou o presídio. Por mês, em média, oito reeducandos abandonam o IPA.

Até ontem, o IML não havia divulgado o laudo do tempo da morte. Será com base nesse laudo que a Polícia Civil irá solicitar ao IPA as fichas de todos os reeducandos que abandonaram o presídio no período possível da morte.

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