Ele não é um professor de mecânica automotiva por acaso. O bauruense Antônio Luiz Trefilho é um apaixonado por carros, principalmente os antigos. Proprietário de uma caminhonete F100 do ano de 1961, Antônio cuida do veículo como se fosse um de seus três filhos.
A história de amor com a F100 começou quando ele ainda era uma criança. Na época, o professor morava em uma chácara, onde todos os seus moradores tinham hortas, particularmente alguns japoneses. Estes, conta ele, tinham o hábito de ir à feira para vender as hortaliças, oportunidade em que o jovem Antônio aproveitava para pegar uma carona até a escola acomodado a bordo de uma F100. Foi aí que tive os primeiros contatos com a caminhonete. Eu adorava ouvir o barulho do motor dela, lembra Antônio.
À medida que ia andando na F100 de seus vizinhos de chácara, o professor aumentava a admiração pelo veículo. Até chegar num ponto de, já adulto, tentar realizar o sonho de possuir uma.
Mas não foi nada fácil consegui-la. Antônio explica que sua idéia inicial era adquirir uma F100 para reformá-la. Sempre quis ter esse veículo, mas foi difícil. Além de não existirem muitos modelos em oferta, quando estes apareciam apresentavam problemas de vários tipos e com preços extremamente altos. Diante disso, comecei a procurar uma já pronta, relembra ele.
Depois de tanto tentar e de passar pelas experiências de ter na garagem um Mercury 1951, um Ford 1946 e uma picape F1 1951, Antônio conseguiu realizar seu sonho alimentado desde a infância. Só que precisou deslocar-se até Ribeirão Preto, onde acabou comprando a F100 de um político local. Ao retornar a Bauru, já guiando a caminhonete, Antônio sentiu do que a possante F100 era capaz. Ele relata: Para ir até Ribeirão, fui com um Del Rey que, na volta, um amigo veio dirigindo. Ele me contou, depois de chegarmos em Bauru, que precisou andar a uns 140 km/h para poder me acompanhar na estrada.
A caminhonete
Como não podia ser diferente, Antônio fala com desenvoltura dos detalhes técnicos da caminhonete, que ele afirma ser capaz de fazer até sete quilômetros por litro de gasolina na cidade devido às modernizações implementadas no veículo. Como os motores da década de 60 eram muito beberrões, resolvi adaptar alguns princípios utilizados em carros atuais, como ignição eletrônica, succionador de gases do cárter, hélice automática do radiador e retornador de combustível, conta ele.
O motor que equipa a F100 do professor foi especialmente preparado para obter melhor desempenho em relação à velocidade. O equipamento é um dos xodós de Antônio, que destaca: É um típico V8 que chegou a ser utilizado por um dos mais famosos carros americanos, o Ford Thunderbird. Por fora, é um motor aparentemente comum, mas, por dentro, há algumas mudanças, como o ângulo dos virabrequins, feitas para melhorar a velocidade da caminhonete, diz ele.
A transmissão possui três marchas e a alavanca do câmbio é localizada na coluna da direção, próximo ao volante. Outra particularidade do veículo é a existência de uma placa identificatória perto da coluna da porta esquerda. Há somente dois carros no País com ela, pois pertencem a uma série especial possuidora de câmbio com relações de marcha mais longas, diferentemente dos demais modelos da F100, que apresentam relações muito curtas, revela Antônio.
Mesmo valendo entre R$ 15 mil a R$ 17 mil, segundo Antônio, ele enfatiza que não a troca por nenhum outro veículo. Eu a utilizo no dia-a-dia para trabalhar e é o meu meio de transporte. Mesmo assim, ela nunca me deixou na mão com qualquer tipo de problema mecânico. É uma caminhonete muito robusta, destaca ele.
Apesar da enorme caçamba, Antônio não a usa para cargas. Tenho dó de carregá-la. Só faço isso com coisas pequenas, frisa o cuidadoso professor.
Moto
Antônio também já possuiu uma moto que ele considera ser uma raridade. O modelo em questão é a inglesa Velocete LE. Ela foi desenvolvida para andar nos desertos da África, pois tinha motor com dois cilindros horizontais contrapostos, radiador a água, transmissão a cardan, alavanca de câmbio na mão, rodas de alumínio e quadro em lata estampada. Pelo que sei, existiram somente quatro modelos na América do Sul, conclui ele.
Perfil
NomeAntônio Luiz Trefilho
ProfissãoProfessor
Estado civilCasado
HobbyAntiguidades
Lugar para passearÁguas de São Pedro
Time do coraçãoNenhum. Não gosto de futebol e não torço por nenhum time
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense ?O trânsito, que praticamente não anda, durante as finais de tarde. Já morei em São Paulo e, apesar de ser agitado, o trânsito flui. Aqui, em determinadas partes da cidade, ocorrem freqüentes congestionamentos.
Quem você não colocaria como passageiro do seu carro?O Fernando Henrique Cardoso, pois o considero um antipatriota que não pensa em nenhum aspecto no povo.
Que nota você daria aos motoristas bauruenses?Cinco.