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Jaú treina policiais para liberar reféns

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Policiais da Força Tática de Jaú e região participam de treinamentos específicos de invasão e resgate de reféns

Jaú - Uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) de Belo Horizonte esteve em Jaú na última semana instruindo policiais da Força Tática para operações envolvendo reféns e ocupação de ambientes. A iniciativa visa capacitar os batalhões do Interior do Estado para enfrentar eventuais sequestros, sem depender exclusivamente dos serviços especializados do Gate da Capital, segundo informou o tenente Malco Basílio, um dos maiores incentivadores do treinamento.

O tenente vai um pouco além e fala até mesmo em criar um pólo de instrução na região. O treinamento da semana passada seria apenas o primeiro passo nessa direção.

Nós não podemos descartar a possibilidade de ocorrências desse tipo, que nós chamamos de gerenciamento de crises, no Interior. O tenente lembrou o seqüestro de três policiais de Barra Bonita, há dois anos, e a forte atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em presídios no Interior do Estado.

Nós precisamos de uma equipe bem treinada, que saiba sentir o ambiente e depois passar informações para a outra equipe que está do lado de fora, querendo saber qual o melhor procedimento a seguir, comentou o tenente.

O fato do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), com sede em Bauru, ser o segundo maior do Estado é encarado pelo policial como um forte motivo para que se institua uma força especializada em gerenciamento de crises na região.

Gerenciamento de crises é como a polícia denomina a operação que envolve o trabalho de resgate de reféns.

Os policiais que estão acostumados com o dia-a-dia também têm o seu valor, mas eles carecem de um pouco mais de especialização (para esse tipo de trabalho). Então, nós temos a Força Tática que pode atuar de forma mais direcionada, nesses casos, disse.

Treinamento

Participaram do treinamento 19 policiais da Força Tática de Jaú, dois de Bauru, um de Barra Bonita e outro de Igaraçu do Tietê. A equipe só não foi maior porque os instrutores preferem trabalhar com grupos pequenos, o que, em tese, facilitaria o ensino e também o aprendizado.

Os participantes foram divididos em quatro grupos (chamados de células) de no máximo seis policiais cada um.

Um dos exercícios foi o deslocamento das células para fazer o reconhecimento do ambiente. Enquanto os policiais avançavam em direção ao local onde estariam três pessoas fortemente armadas, o comandante da célula tentava negociar a rendição com os supostos bandidos, personificados por três instrutores do Gate.

De acordo com as instruções, se o confronto for inevitável, o mesmo tem de ser muito bem elaborado para que a vida do refém seja preservada.

Após cada troca de tiros, o capitão Eduardo Lucas de Almeida, 35 anos, subcomandante do Gate, passava em revista os policiais para saber se algum deles havia sido atingido pelos tiros. Em caso afirmativo, o policial era retirado da ação.

Com isso, os instrutores tentam aproximar ao máximo o treinamento com a realidade. É preciso que cada um tenha a noção de que se ele não se proteger e não fizer aquilo que foi ensinado, seu fim pode ser fatal na hipótese de um confronto real, alertou o tenente Malco. As balas do treinamento eram de tinta.

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