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UMA HISTÓRIA DE INDUS!

(*) José Carlos
| Tempo de leitura: 4 min

Nova Lima era - e é ainda - uma das mais importantes cidades das Minas Gerais, integrando a Grande Belo Horizonte, encravada nas serras que circundam a capital das Alterosas. Na década de 1950 a 1960, residia em Belô, convivendo no dia-a-dia com a fleugma afetiva e acolhedora dos mineiros. Voltando a falar em Nova Lima, progressista cidade montanhesa, ali tomamos conhecimento de um episódio que nos deixou chocados e tristes como brasileiros! Toda a economia da cidade era centrada na exploração das minhas de ouro - Jazidas de Morro Velho, como eram mundialmente conhecidas, - e, conseqüentemente extração do valioso metal. Por força de um Convênio com o Governo Brasileiro as minas eram controladas por um grupo inglês, que, quase diariamente, fazia remessas de quilos e mais quilos de barras de ouro para Londres, ficando, no Brasil, apenas pequena parcela contratual.

Todas as quartas-feiras, as galerias eram abertas para visitação pública, dias festivos em que Nova Lima recebia de braços abertos centenas e centenas de turistas. A rotina era uma só! Uma equipe de guias especializados e conhecedores do metier- todos brasileiros - acompanhava os visitantes mostrando-lhes todas as nuances da extração. Desde a pulverização dos cascalhos de ferro e seu tratamento rotineiro, até as proximidades do aparecimento dos primeiros filetes dourados, o que acontecia no final da quarta galeria subterrânea. Nesse ponto, então, acontecia o imponderável, para não dizer o humilhante! Encontravam-se divisões de grades metálicas possantes cheias de cadeados e dispositivos modernos de segurança. E exatamente nesse ponto cessavam as atividades dos guias brasileiros, que, então, retornavam para o ponto inicial das galerias, para recepção dos novos visitantes.

A partir daí os turistas passavam a ser acompanhados por guias Indus, todos uniformizados, a maioria dos quais nem falava o português. E daí para frente, o mistério se desfazia. Passava-se a ver os filetes de ouro se amalgamando até sua transformação em barras douradas e seus derivados. Em nosso regresso começamos a raciocinar. Que degradação, senhores! Na nossa cara! Em nosso Brasil! Os guias nacionais só serviam até o ponto em que se via a massa barrenta! Depois, quando já se notavam sinais do precioso metal os cicerones passavam a ser todos, de plena confiança de seus patrões ingleses!

É óbvia a conclusão! Há 45 anos, em se tratando de ouro vivo já os brasileiros eram marginalizados pelos magnatas do Primeiro Mundo! Estamos hoje nos lembrando deste triste episódio, quando, diariamente, lemos nos jornais, os valores dos prêmios oferecidos pelas Senas, Super Senas, Mega Senas, Lotomanias, Quinas, Loterias Esportivas, Raspadinhas Federais, etc., etc., etc., onde também diariamente são manuseadas centenas ou milhões de reais.

Estarão corretos os valores indicados e arrecadados para os prêmios oferecidos? Quanto atingem os totais brutos de cada sorteio? Onde a transparência? Reparem que tais valores superam em muito o das barras de ouro de Nova Lima, só que hoje não são em barras! São em dinheiro vivo! Uma nota em cima da outra! Valores astronômicos! A transparência apregoada pelo governo é invisível, não chega à população, que fica a mercê dos números, valores ou destinos que lhe são impostos pelas autoridades inerentes.

Em resumo, nós brasileiros temos que engolir calados, sem sequer poder digerir, os valores publicados pelos órgãos especializados. E aqui uma pergunta derradeira e perfeitamente cabível para nós tupiniquins: Será que os administradores e manuseadores dessas montanhas diárias de dinheiro vivo são todos eles Indus? Ou descendentes diretos do imortal Mahatma Gandhi?

Senão o forem, Hosanas!

Num país em que quase todos os setores públicos - inclusive políticos das nossas mais altas côrtes - vereanças, Câmara Federal e Senado são vulneráveis à sanha peçonhenta de grupos organizados de corrupção, com o estouro diuturno de escândalos que ecoam no mundo inteiro estarrecido (INSS, Saúde, Orçamentos e seus Anões, Privatizações dirigidas, Impunidade, os Lalaus e as Sudans e Sudenes da vida), pois bem senhores, nesse mar de lama, a existência de um grupo incorruptível de patriotas não-contaminados, sem quaisquer vínculos com nossos irmãos da Índia é para nós um grande motivo de alegria! De alegria e desabafo - e por que não? - De surpresa e de quase incredulidade! Hosanas, patrícios meus! Nem tudo está perdido! Data venia.

(*) José Carlos da Rocha Barros - CPF: 068.943.568-15 - Jaú

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