A vacinação é a única forma de prevenção das hepatites A e B, as únicas que possuem vacina. O Plano de Intensificação das Ações para Vigilância e Controle das Hepatites Virais foi implantado pelo Governo Federal e, este ano, a população de Bauru que tem até 19 anos pode ser vacinada contra a hepatite B nos postos de saúde da cidade. O plano dá a Estados e municípios condições de executar com mais eficiência a prevenção e o controle das hepatites virais no País. Implantado em 1992, ele vem sendo aperfeiçoado ao longo do tempo por grupos de trabalho que se reúnem sistematicamente para elaborar e desenvolver técnicas de diagnóstico e tratamento ao paciente.
De acordo com o médico infectologista Marcelo Pesce, as hepatites virais são doenças que causam inflamações no fígado e podem ocorrer de três formas. Na forma moderada, grave e assintomática, onde o paciente não sente nada. A grande importância da prevenção é evitar os agravos. Nos casos graves, ela pode levar à morte, disse.
Ele explicou que existem hepatites do tipo A, B, C, D e E. Duas delas (A e E) são de transmissão hídrica, ou seja, através da água. As hepatites B e C são ocasionadas por transmissão sangüínea ou sexual. Os sintomas mais freqüentes das hepatites, de acordo com o médico, são pele amarelada, fezes esbranquiçadas, urina escura lembrando coca-cola, febre e náuseas.
De acordo com Pesce, o tratamento de qualquer que seja a doença não deve ser interrompido, é perigoso. O médico é o especialista para indicar o tratamento ideal e o tempo prescrito por ele deve ser seguido e respeitado para que a doença não volte. O importante, sem a menor dúvida, é prevenir-se contra essas doenças, afirmou.
Em relação à de transmissão hídrica, ele explicou que é preciso ter vários cuidados com a água que bebemos, porque as pessoas se preocupam com a quantidade e não com a qualidade. Temos que saber de onde vem a água de nossa casa e o que pode acontecer com ela no percurso até chegar a nossa ingestão. Temos que pensar não só nas doenças mais graves, mas nas mais simples também, alertou. O uso da camisinha também é importante para prevenir as hepatites B e C de transmissão sangüínea e sexual.
De acordo com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru, Maria Helena de Abreu, a vacinação contra a hepatite B teve sua faixa etária ampliada, antes eram vacinadas crianças até 5 anos, agora a vacina é aplicada em pessoas de até 19 anos (aquelas que completam 20 anos em 2001).
Além do grupo que se enquadra nessa faixa etária, a vacina é indicada também para profissionais de risco que são:
- profissionais de saúde;
- polícias em geral;
- funcionários de presídio;
- tatuadores e colocadores de piercing;
- manicures;
- portadores de doenças renais crônicas;
- lixeiros.
Esses profissionais podem estar em contato com o vírus, então independente da idade devem tomar a vacina, disse Maria Helena. Ela explicou que as pessoas que tem até 19 anos, devem apenas apresentar a carteira de vacinação. Já os profissionais de risco, além da carteira, devem levar um documento que comprove sua profissão.
De acordo com Maria Helena, a vacina contra a hepatite B dá uma proteção de 95% e é aplicada em três doses. A segunda dose é aplicada depois de 30 dias da primeira e a terceira depois de três meses. Vale lembrar que somente tomando as três doses a pessoa está protegida.
O médico Marcelo Pesce lembrou que na rede privada há também a vacina para a hepatite A. Como essa doença é transmitida através da água contaminada e alimentos crus mal lavados, essa época do ano acaba sendo propícia, por isso, a importância da vacinação, explicou.
Ele disse que a novidade é que, atualmente, numa única aplicação se vacina contra as hepatites A e B, propiciando benefícios para a pessoa que toma a vacina.
Números
Casos de hepatite B registrados em Bauru nos últimos anos:
Ano Quantidade
1996 11 casos1997 5 casos1999 7 casos2000 7 casos2001* 4 casos
*Primeiro semestre de 2001.
Fulminante
A hepatite fulminante ocorre numa pequena parte dos pacientes. A inflamação do fígado piora de forma severa e grandes áreas desse órgão podem ser destruídas, fazendo com que existam pacientes com casos muito graves. Está freqüentemente associada com a infecção conjunta pelo vírus da hepatite D.
Na hepatite fulminante, modalidade da doença que pode acontecer em 1% dos casos, ocorre uma falência aguda do fígado, ou seja, o órgão não consegue desempenhar mais nenhuma das suas funções básicas. Essa falência acontece quando um órgão não é mais capaz de desempenhar nenhuma de suas funções.
A maioria dos adultos infectados não se torna portador crônico do vírus e recupera-se da infecção em três a seis meses. Uma pequena parte dos pacientes, contudo, pode desenvolver hepatite fulminante.