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Câncer é o último estágio da doença

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 2 min

Há cerca de 100 milhões de infectados no mundo, e estima-se que 1,4% da população de São Paulo esteja infectada

De modo geral, o termo hepatite subentende a hepatite viral. A hepatite A é a mais comum em nosso meio, transmitida pela água, alimentos contaminados e de uma pessoa para a outra, geralmente apresentando-se como um quadro gripal em crianças, sendo então de difícil diagnóstico. Alguns têm apresentação típica, com pele e olhos amarelados (icterícia), náuseas e febre. Costuma curar sozinha em até quatro semanas e a mortalidade é menor que 0,2%.

A hepatite B, de acordo com o médico Stéfano Gonçalves Jorge, é transmitida principalmente pelo sangue contaminado (transfusões, acidentes com agulhas, drogas), relações sexuais e da mãe para o bebê na hora do parto. A apresentação aguda se assemelha à da hepatite A, com mortalidade de 0,1% a 0,5%, mas pode persistir e se tornar crônica em até 5% dos adultos (e até 90% nas transmissões no parto). Destes, de 12% a 20% podem desenvolver cirrose em cinco anos e 6% a 15% câncer de fígado (hepatocarcinoma). As pessoas com risco de adquirir hepatite B devem receber vacina, que já está disponível nos postos de saúde. Há tratamento para a hepatite B, com cerca de 50% de taxa de cura.

Jorge explicou que a hepatite C poderia ser considerada a mais grave por alguns motivos: o modo de transmissão melhor caracterizado é por transfusões de sangue, mas apenas 4% dos infectados foram transfundidos; após 6 a 12 meses de uso de drogas endovenosas, 80% dos usuários adquirem a hepatite C; pode haver transmissão por via sexual, em até 15%; a transmissão no parto pode chegar a 6%; de 6% a 8% dos convívios familiares (não sexuais) se infectam.

Há cerca de 100 milhões de infectados no mundo, e estima-se infectada 1,4% da população de São Paulo (2% dos doadores de sangue de todo o Brasil).

Dos infectados com hepatite C, cuja apresentação aguda é geralmente leve e passa despercebida, 85% continuam com hepatite crônica, 20% destes com cirrose em 20 anos, com risco de 1% a 4% ao de câncer do fígado.

De acordo com Jorge, o tratamento da hepatite C tem resultados piores que o da B. O tratamento convencional, com interferon, tem resposta em 10-20% dos casos. A associação recente com a ribavirina mostrou resposta em 30-35%. Um novo medicamento, o peg-interferon, recém lançado no Brasil, tem 50% de resposta. A associação do peg-interferon com a ribavirina provavelmente trará resultados ainda melhores, mas os estudos ainda estão sendo realizados, disse.

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