O terrorismo é a ameaça mais real e imediata aos princípios e valores nos quais se baseiam nossos sistemas democráticos. Não se pode falar do futuro da democracia no mundo sem identificar e assinalar esse implacável inimigo da civilização - de todas as civilizações - que pretende quebrar a fibra íntima de nossas sociedades e neutralizar sua capacidade de reação mediante o assassinato, a destruição, a dor intolerável e o medo. O terrorismo nasce do ódio e se nutre da manipulação de reivindicações e injustiças, reais ou fictícias, para tentar obter determinados fins através da chantagem da violência organizada.
O terrorismo é o meio que desqualifica qualquer fim: nenhuma consideração de caráter político ou moral pode justificar o terrorismo, que é a nova forma de barbárie. Tudo isso nós, os espanhóis, conhecemos bem, pois nunca nos dobramos à chantagem terrorista, nem cedemos em nossa determinação de derrotá-lo. Com o brutal ataque contra os Estados Unidos, o terrorismo fez sua aparição em escala planetária e mostrou toda a imensidão e profundidade do mal que enfrentamos. Os atentados foram um desafio terrorista à humanidade civilizada, que sentiu-se imediatamente solidária com a dor e a indignação da nação norte-americana.
No dia 11 de setembro, fomos vítimas desse crime, que permitiu compreender num instante a importância da colaboração internacional para erradicar essa terrível ameaça à nossa segurança e derrotar esse inimigo implacável da liberdade de nosso sistema de vida. Desta forma, os atentados de 11 de setembro converteram-se num formidável catalisador de toda a humanidade contra a barbárie terrorista. As democracias demonstraram ao longo da história que são extremamente capazes na hora de se defenderem, porque encarnam o impulso mais constante e invencível do homem, que é a liberdade. Por isso, o terrorismo acabará sendo derrotado graças à determinação e aos meios que dispõem os Estados democráticos. Para isso, é necessário agir com tenacidade e sem esmorecer, em dois níveis.
Um primeiro de cooperação internacional, no qual já atuamos através das Nações Unidas, da Aliança Atlântica, da União Européia e da coalizão contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos, para utilizar conjuntamente todos os meios policiais, judiciais, financeiros, de inteligência e militares ao nosso alcance, com o objetivo de destruir as organizações terroristas e dissuadir os Estados que as apóiam. Os terroristas são, antes de tudo, delinqüentes e criminosos e, como tais, devem ser perseguidos, julgados e castigados.
Em um nível mais profundo, será necessário atuar coordenadamente, ao mesmo tempo, no plano dos princípios em nível mundial, não só através de uma exigência mais rígida de respeito aos direitos humanos e de maior tolerância e liberdade, mas, também, através de um combate mais solidário contra a pobreza e a ignorância, e mais frontal e decidido contra a intolerância e o fanatismo.
Na medida em que a luta contra o terrorismo passar a ser uma das prioridades fundamentais na ação exterior dos países democráticos, provavelmente será necessário também revisar os padrões da chamada correção política e fazer com que o respeito aos direitos humanos e a atitude beligerante contra o terrorismo se convertam na nova unidade de medida das relações internacionais. Estou convencido de que isso também beneficiará o processo de reforço democrático no mundo.
O autor, Josep Piqué, é ministro de Assuntos Exteriores da Espanha.