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Hilda Furacão e Marília de Dirceu

Eliane Barbosa (*)
| Tempo de leitura: 5 min

Ir a Belo Horizonte e não gostar da cidade é improvável, impossível, parodiando a música do Skank. A primeira Capital planejada do País tem obras arquitetônicas assinadas por Oscar Niemeyer, quase 10 mil bares e casas noturnas espalhadas por seus principais bairros boêmios como o Savassi, praças com imensas palmeiras, parques, lagoas e uma agitação cosmopolita por conta de seus mais de dois milhões de habitantes. É um dos mais importantes conglomerados de negócios do Brasil e centro médico por excelência.

Beagá, para os íntimos, ou Belô, como se tornou mundialmente conhecida, não tem mar, nem praia, assim como as demais cidades das Gerais, mas isso pouco importa. A qualidade de vida lá é uma das melhores do Brasil, por conta da imensidão de áreas verdes e planejamento urbano. A quantidade de rios, lagos artificiais e cachoeiras faz você se esquecer que está distante do oceano.

Embora não faça parte dos roteiros turísticos mais divulgados, Belo Horizonte é certeza de viagem agradável e uma boa dica para quem ainda não decidiu onde passar as férias. Por ficar em ponto estratégico, perto de lugares charmosos como Ouro Preto, Tiradentes, Sabará e das reservas ecológicas da Serra do Cipó e Caraça, você pode montar seu esquema de passeios. Reserve pelo menos dois dias nela. De mansinho, descubra com os mineiros, que falam baixinho e com pausas, a explorar seus principais encantos.

Assim como seus moradores, Beagá é uma metrópole sem as neuras das demais, onde o índice de criminalidade não é alarmante, e, por conta disso, o happy hour corre solto, o que se comprova pelas mesinhas nas calçadas onde a mineirice mostra sua melhor faceta.

São milhares de bares e discotecas espalhados pela cidade. Dizem que, per capita, é a metrólope que mais oferece esse tipo de diversão no Brasil. Skank, Milton Nascimento, Jota Quest, Pato Fu e Lô Borges despontaram para a fama justamente nesses pontos, assim como os grupo de dança O Corpo e a companhia teatral O Galpão. Programas culturais e de lazer para ninguém reclamar e surpreender-se com a diversidade que Belô oferece.

A personagem Hilda Furacão nasceu nos bares de Savassi, garantem os mineiros. Foi nas mesas de seus barzinhos que Roberto Drummond teve a inspiração para escrever o livro que virou minissérie da Globo, protagonizada pela belíssima Ana Paula Arósio.

Meninas lindas como Hilda são uma constante nas mesas do bairro e eterna fonte de inspiração para escritores, poetas e cineastas que elegeram Belo Horizonte como seu território de idéias, seguindo os passos de políticos de renome como Tancredo Neves e Milton Campos que moraram em Savassi, depois de se mudarem de Ouro Preto para a capital.

Mas nem só de bares, cafeterias, livrarias, butiques e mesinhas esparramadas pelas calçadas vive Belô. Há muitas áreas verdes para quem quer curtir a natureza e até ouvir o canto dos rouxinóis relembrando a sonoridade da música de Pituca. Prova disso vem da Praça Marília de Dirceu, musa do poeta Tomás Antônio Gonzaga, do Parque das Mangabeiras com mais de três milhões de metros de mata nativa, onde encontram-se animais silvestres, trilhas, lagos e, muita tranqüilidade, na Praça da Liberdade com suas imensas palmeiras e até mesmo no bairro da Pampulha. Afinal, Burle Marx, entre outros não menos famosos e idealistas como Cândido Portinari e Niemeyer deixaram suas marcas lá.

O conjunto arquitetônico da Pampulha, a praça e o Palácio da Liberdade e o Parque das Mangabeiras são os principais destaques em paisagismo e verde na cidade.

O conjunto da Praça da Liberdade é o mais antigo de Belo Horizonte. Foi idealizado desde a fundação da cidade para ser sede do governo. Os prédios exigiram mão-de-obra e material da Europa e têm estilo eclético, com elementos neoclássicos. Retratam, também, estilos de várias épocas, ou seja, há edifícios em art decó, marcas do maior arquiteto vivo do País e da década de 80, em estilo pós-modernista.

O Parque das Mangabeiras, por sua vez, é o eleito dos moradores de Belo Horizonte para a realização de eventos ao ar livre. Sua enorme praça, tendo ao fundo a Serra do Curral, é sempre lembrada quando o assunto são festas cívicas ou reuniões religiosas.

A Praça Marília de Dirceu é o paraíso dos antiquários. Nas lojinhas que se enfileiram uma a uma, há objetos para todos os gostos garimpados nas inúmeras fazendas mineiras. A praça é romântica por natureza e, em meio a crucifixos do século passado, capelinhas em estilo colonial e muita prataria das minas de ouro, oferece aos turistas restaurantes onde pratica-se o melhor da culinária mineira.

Outro espaço disputado é a Praça Raul Soares, com sua fonte luminosa, gramado e flores. Dizem que no passado esse foi o lugar escolhido pelos soldados do Regimento de Infantaria para seus encontros amorosos com as senhoritas empregadas nas mansões do bairro de Lourdes. Hoje, pela proximidade com o Mercado Central, passou a ser um ponto de encontro dos boêmios e porta de entrada para o bairro Barro Preto, onde ficam as maiores confecções mineiras. Aliás, a moda mineira cada vez mais se desponta no cenário nacional, com desfiles que nada ficam devendo ao eixo Rio-São Paulo. Alphorria, Coven, Vide Bula e muitas outras griffes são de Beagá.

Primeiros dias

A Belo Horizonte do século XIX você vai encontrar em outro canto da cidade: na confluência das avenidas Afonso Pena e Amazonas, que formam a Praça Sete. Os prédios da Prefeitura, dos Correios, do Tribunal de Justiça e do Automóvel Clube são uma aula de história.

Perto dali fica o Parque Municipal e o Palácio das Artes, exemplos de arquitetura modernista das décadas de 60 e 70. O passeio pelo centro, portanto, é uma mistura do antigo com o novo, do tradicional com o progresso.

(*) Colaboração: Belo Horizonte Visitors e Bureau

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