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Consulta decidirá destino da Reitoria

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Conselho Universitário da Unesp deve definir calendário da consulta na próxima reunião, agendada para 13 de dezembro.

O Conselho Universitário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu, na última terça-feira, pela realização de um plebiscito em todos os seus campi para saber qual é a opinião da comunidade acadêmica sobre a proposta de interiorização da Reitoria. Professores, alunos e funcionários vão participar da consulta através de votação.

O encontro terminou em polêmica. Ao seu final, cerca de 30 conselheiros se retiraram da reunião por não concordarem com o percentual mínimo de aprovação determinado para a votação. O reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, entendeu que o resultado pela maioria simples (metade dos votos mais um) decidiria a questão.

Um grupo de conselheiros insistiu na tese de que a decisão só seria válida com a aprovação de dois terços do colegiado, ou seja 49 votos, conforme determinaria o estatuto da instituição. Prevaleceu a vontade do reitor, o que irritou uma parte dos conselheiros. Em protesto, eles se retiraram da reunião.

A votação ocorreu com a presença de 40 conselheiros, dos quais 23 votaram favoráveis à realização do plebiscito, 15 se manifestaram contrários e dois se abstiveram. A próxima reunião do conselho está agendada para o dia 13 de dezembro. É provável que nesse encontro seja definido um calendário para viabilizar a consulta à comunidade acadêmica.

Sem definição

Segundo o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus de Bauru, professor José Brás Barreto de Oliveira, não ficou definido qual o peso da votação de professores, alunos e funcionários no plebiscito. Ele explicou que o assunto ainda será motivo de discussão no Conselho Universitário.

Oliveira participou da reunião da última terça-feira. Seu voto foi contrário à realização do plebiscito. O professor explicou que, particularmente, é favorável à consulta, mas seu voto representou a vontade da Faculdade de Ciências do câmpus de Bauru, da qual é diretor, que se posicionou contra o plebiscito.

Independente do resultado da consulta, o conselho deverá homologá-lo. Também não ficou definido, ainda, como será realizada a escolha da cidade-sede, caso a consulta seja favorável à interiorização da Reitoria. Provavelmente a decisão, de caráter técnico, será tomada pelo próprio Conselho Universitário.

Além de Bauru, outras três cidades disputam a instalação da instância universitária: Botucatu, Araraquara e Rio Claro. A discussão sobre a interiorização da Reitoria da Unesp começou durante a campanha que elegeu o novo comando da universidade, no final do ano passado.

A proposta foi encabeçada pelo atual reitor, José Carlos Souza Trindade. Em carta endereçada aos membros do conselho, por ocasião de reunião realizada no dia 6 de junho - convocada para discutir o relatório técnico das cidades candidatas -, Trindade lembrou que comprometeu-se a apresentar a toda comunidade unespiana, de forma clara e objetiva, a disposição de iniciar discussões sobre a transferência da sede da universidade para uma cidade localizada na região central do Estado.

O reitor avalia que a instituição universitária tem características eminentemente interioranas. Com a maioria das unidades implantadas nas diversas regiões do Estado, não mais se justifica a Reitoria da universidade instalada distante da realidade vivenciada cotidianamente em seus diversos campi, justificou.

A comissão técnica encarregada de avaliar as cidades que se candidataram a sediar a Reitoria visitou Bauru no dia 9 de março. Presidida pelo professor Luiz Antonio Vane, seus membros participaram de uma apresentação sobre a cidade no auditório da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

A comissão levou para São Paulo um abaixo-assinado contendo 100 assinaturas de prefeitos e vereadores da região, reivindicando a instalação da sede da Reitoria em Bauru. O Município tem um importante aliado: a União Estadual dos Estudantes (UEE), que tem assento no Conselho Universitário.

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